Rui Rocheta, diretor-geral do Gi Group em Portugal, fala ao Expresso da carreira e dos desafios de trabalhar em várias geografias
ui Rocheta tem um caminho atípico. Escolheu “com o coração” a licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, mas acabou por construir a sua carreira na área de gestão. Assumirá, no final do ano, o cargo de diretor-geral nacional na consultora Gi Group Holding em Portugal.
“Gostava de línguas e acabei por seguir esse percurso. Não ouvi o meu pai, que sempre disse que aquilo no fim não ia dar”, recorda. Ainda chegou a ser professor durante o mestrado em Literatura Inglesa. “Vi que não era para mim”, conta Rui Rocheta.
As portas no mundo da gestão abriram-se através da tradução. Começou numa empresa de consultoria durante o “boom dos anos 2000”, quando várias empresas surgiram em Silicon Valley. “Estavam a nascer os primeiros websites, que tinham de ser colocados em dez línguas diferentes e havia muito trabalho de gestão de projetos”, explica Rui Rocheta. A partir daí, iniciou uma “carreira internacional até aos dias de hoje”.
Passou pelo Reino Unido, França e México, até chegar ao Brasil, onde trabalhou durante vários anos. “Em 2012, a Gi Group fez uma aquisição no Brasil e precisava de alguém de gestão de empresas e não necessariamente de recursos humanos”, explica Rui Rocheta, sobre a sua entrada na consultora. É a esta experiência internacional que Rui Rocheta atribui a sua capacidade de se adaptar às diferenças culturais. Na Europa, “as pessoas querem entender o porquê, o objetivo, querem discutir e participar”, enquanto nos países latino-americanos, “as pessoas estão mais à espera de serem direcionadas para executarem. Então, para alguém numa carreira internacional, é muito importante saber ajustar e ter essas diferenças na liderança”. Nesse sentido, “nós, portugueses, temos uma certa vantagem: geralmente, não somos vistos como intrusivos”.
A colaboração é a palavra-chave na liderança de Rui Rocheta. Começou a gerir vários mercados no Gi Group, entre os quais Espanha, Chile e Argentina, até regressar finalmente a Portugal para assumir o mercado nacional. “A liderança em Portugal foi uma decisão de transição”, afirma. “Já somos a empresa líder em Portugal no trabalho temporário. Agora, o nosso objetivo é ser a empresa líder em recursos humanos”, revela, notando que “as empresas vão continuar a precisar de profissionais qualificados, mas com mais flexibilidade”.
- Formação
Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas (português e inglês) na Universidade Autónoma, mestrado em Literatura Inglesa na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e um MBA em Gestão Internacional na Universidade Católica Portuguesa - Lema de vida
Menos lemas, mais vida - Livro
“Mrs Dalloway”, de Virginia Woolf - Filme
“O Clube dos Poetas Mortos”, de Peter Weir - Passatempo
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in Expresso, por Eunice Parreira, 30-07-2026






