As tempestades e inundações que começaram em janeiro e o conflito no Médio Oriente iniciado no último dia de fevereiro perturbaram a atividade económica e conduziram à desaceleração do PIB. A CIP aponta que as empresas nacionais dependentes da energia estão a ser prejudicadas na sua competitividade internacional por o Governo português disponibilizar menos apoios do que os governos de outros países.
O Barómetro de Conjuntura Económica CIP – Confederação Empresarial de Portugal/ISEG de abril de 2026 estima que o PIB português tenha registado uma variação em cadeia nula no primeiro trimestre, correspondente a um crescimento homólogo de 2,2%. Esta variação tem algum efeito de base devido à queda em cadeia observada no início de 2025. A previsão incorpora o impacto negativo dos episódios climáticos extremos de janeiro e fevereiro e, com os dados disponíveis em março, reflete já um primeiro impacto da eclosão do conflito no Golfo Pérsico.
O Barómetro CIP/ISEG indica que a queda homóloga do índice de produção industrial em 4,4% (7,6%, excluindo a produção de energia) verificada em fevereiro é já consequência das tempestades, cujo efeito se terá concentrado no primeiro trimestre. Segundo esta análise, é de esperar que a chegada ao terreno dos programas públicos de apoio, e o pagamento das indemnizações reconhecidas pelas seguradoras, contribuam para mitigar o impacto adverso dos fenómenos climáticos no crescimento do PIB ao longo do ano.
Já as consequências do conflito no Golfo Pérsico deverão persistir num horizonte mais alargado, segundo a previsão da CIP e do ISEG. Registou-se em março um aumento de 0,6 pontos percentuais na taxa de inflação e de 3,5 na taxa de variação homóloga dos preços na produção industrial, com a componente de energia a ser responsável por praticamente toda a evolução registada em ambos os índices.
«A persistência do choque no preço dos produtos energéticos tenderá a propagar-se à economia, aumentando os custos de produção de forma transversal, condicionando as decisões de investimento e impactando o rendimento disponível das famílias», afirma Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP. «A intensidade com que já se sentiu em março o aumento dos preços na produção industrial, particularmente nos setores intensivos em energia, nomeadamente em gás natural, mostra bem como as medidas tomadas pelo Governo até ao momento são claramente insuficientes face à gravidade da situação».
O diretor-geral da CIP chama a atenção para as medidas muito mais robustas que outros países estão a tomar para apoiar as suas empresas. «A assimetria entre os apoios disponibilizados em Portugal e as fortes medidas adotadas noutros países, como a Espanha, estão a criar problemas de competitividade das empresas portuguesas no mercado global», afirma Rafael Alves Rocha. «São por isso urgentes apoios diretos às empresas nacionais mais afetadas pelo acréscimo dos custos energéticos».
Ao longo do primeiro trimestre, a evolução dos indicadores de «Clima» e de «Sentimento» refletiu uma deterioração moderada da confiança dos consumidores e do setor empresarial, tendência essa que se agravou em março, sobretudo no caso do indicador de confiança dos consumidores. Em contrapartida, entre os indicadores de atividade setorial já disponíveis, alguns surpreenderam pela positiva: são os casos da produção e comercialização de automóveis ligeiros de passageiros e o forte crescimento homólogo, em março, nas vendas de cimento (26,1%).
Consulte o Barómetro de Conjuntura Económica CIP/ISEG de abril aqui
in CIP, 29-04-2026






