O contexto internacional obriga o Grupo Volkswagen a ajustar a sua capacidade de produção – que deverá sofrer novo corte de um milhão de unidades, segundo o diretor-executivo Oliver Blume.
Volkswagen pondera cortes significativos na produção e na gama de modelos
O Grupo Volkswagen está atento ao panorama atual do setor automóvel e procura adaptar-se – o que inclui um corte maior na capacidade de produção, conforme revelou o diretor-executivo Oliver Blume.
Numa entrevista à Manager Magazin, citada pela agência Reuters e pelo Electrive, o dirigente terá afirmado: “Por um lado, estamos a investir fortemente em produtos. Ao mesmo tempo, já tomámos medidas vastas. Estamos atualmente a equacionar cortar a capacidade em mais um milhão de unidades para refletir a situação do mercado global”.
A capacidade de produção do fabricante de Wolfsburgo poderá chegar aos nove milhões de unidades em todo o mundo, enquanto atualmente é de cerca de 12 milhões – sendo afetadas as fábricas de China e Europa. E também se deverá baixar o número de modelos diferentes entre todas as marcas do grupo de 150 para cerca de 100.
O responsável vê o mercado europeu “a encolher”, para além de estar consciente da enorme concorrência que existe na China. Já nos Estados Unidos da América, o grande problema são as tarifas impostas por Donald Trump há cerca de um ano. E admitiu que ter sobrecapacidades de produção do que vendas “não é sustentável no longo termo”.
Oliver Blume falou de uma redução dos custos das fábricas alemãs “em conjunto com os conselhos de trabalhadores”, assim como do fardo financeiro que representa o excesso de capacidades. E até há conversas com “empresas na indústria da defesa” para tentar manter a mão-de-obra e alocar os esforços a outras áreas. Outra possibilidade que não está descartada é vender uma fábrica a um construtor chinês.
Descida de vendas no primeiro trimestre
Recentemente, a Volkswagen anunciou uma quebra de quatro por cento nas entregas globais nos primeiros três meses do ano – um total de 2,05 milhões de viaturas. Cresceu na Europa Central e Ocidental, assim como na América do Sul, mas não o suficiente para anular os efeitos das fortes quebras de vendas na China e nos Estados Unidos da América.
No ano passado, o conglomerado alemão fechou o exercício com uma margem de lucro operacional de 2,8 por cento, o que não chega para encontrar financiamento para grandes projetos usando os próprios recursos.
Também em 2025, o Grupo Volkswagen revelou ter produzido 8,8 milhões de veículos (contra os 8,9 milhões do ano anterior), vendendo nove milhões.
O Grupo Volkswagen tem várias marcas para além daquela que lhe dá nome – desde mais acessíveis como a Skoda, a marcas de luxo como Porsche ou Lamborghini, passando pela Audi ou Seat/Cupra, entre algumas outras.
in Notícias ao Minuto, 21-04-2026






