A União Europeia vai alargar o conceito de “Made in UE” a veículos fabricados no Reino Unido, Japão e Coreia do Sul. Esta abertura permite-lhes ter benefícios fiscais para combater os carros chineses.
Apesar do Japão estar a cerca de 9000 km da Europa e da distância à Coreia do Sul ultrapassar os 10.000 km, os veículos eléctricos produzidos nestes países, ou fabricados na Europa por marcas destas origens, mas sem a obrigatória percentagem de incorporação europeia, vão passar a ser considerados “europeus”. O mesmo vai acontecer com os veículos fabricados no Reino Unido, que abandonou a União Europeia em 2020, mas vai ver os automóveis aí produzidos passarem a ser considerados “Made in UE”. Tudo porque a União Europeia passou a considerar estes três países como “parceiros de confiança”, isentando os seus veículos eléctricos de taxas e beneficiando-os com ajudas e incentivos similares aos modelos construídos na UE, para melhor enfrentarem a oferta chinesa.
O “Industrial Accelerator Act”, a recente proposta introduzida pela Comissão Europeia para acelerar a competitividade, agilizar a transição “verde” e proteger a produção europeia do que considera concorrência injusta visa, principalmente, a indústria verde (painéis solares e inversores), a indústria da defesa e a indústria automóvel. E, nesta última, os inimigos a abater são, sobretudo, os automóveis chineses.
Entre os veículos eléctricos, passa a dominar o conceito “Made in Europe” ou “Buy European”, que exige que os modelos em causa sejam construídos na Europa e tenham ainda 70% dos seus componentes feitos no Velho Continente (excepto as baterias). Simultaneamente, os investimentos de construtores estrangeiros (ler “chineses”) superiores a 100 milhões de euros vão enfrentar normas mais restritas, especialmente se esse estado estrangeiro controlar mais de 40% desse sector no mercado global.
A grande diferença entre os veículos eléctricos serem considerados, ou não, “Made in Europe” reside no facto de só os primeiros poderem ser adquiridos pelos diferentes estados e por empresas públicas ou que recebam subsídios industriais, além de usufruírem de ajudas ou incentivos dos diferentes governos, o que tornará menos interessantes os carros a bateria importados da China, ou fabricados na Europa, mas sem os 70% de incorporação europeia.
Para melhor compreender a abrangência deste “Made in Europe”, recorde-se que 30% a 40% dos veículos novos comercializados na UE são adquiridos pelas entidades abrangidas, sendo que tanto esses como os restantes, inclusivamente os comprados por particulares, pretendem usufruir de ajudas e incentivos estatais, que também ficam em causa consoante a origem dos veículos. E, provavelmente, entre os três países, o Reino Unido será um dos mais beneficiados, na medida em que, sem esta “protecção”, a Nissan não teria voltado a investir na sua fábrica britânica para ali produzir o novo Leaf, possivelmente encerrando de vez as instalações. A nova legislação deverá entrar em vigor durante 2027.
in Observador, Alfredo Lavrador, 13-06-2026






