“Tudo foi pior do que o esperado”: indústria portuguesa de componentes para automóveis prevê “mais um ano difícil”

Sector de componentes na Europa prevê perda de 30 mil empregos e Portugal não vai ficar imune

in Expresso, por Margarida Cardoso, 17-01-2025


A indústria portuguesa de componentes entrou em 2024 a travar a fundo nas expectativas e ainda assim foi surpreendida pela negativa. “Depois de fecharmos 2023 com um salto de 14% nas exportações, para um recorde de €12,4 mil milhões, já sabíamos que os números iam abrandar, mas tudo foi pior do que o esperado”, diz José Couto, presidente da AFIA — Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, sobre o desafio vivido pelo sector nos últimos 12 meses.

A queda de 17,3% registada nas vendas ao exterior em novembro, “muito para lá das expectativas da AFIA”, obrigou a associação a rever em baixa as previsões para o fecho de 2024, apontando agora para uma descida de 6,3%, em vez de 5%. E as perspetivas para 2025 são modestas: “Pela frente há mais um ano difícil. Esperamos apenas que, no pior cenário, o novo ano seja parecido com 2024”, resume o dirigente associativo, atento ao alerta da CLEPA, a associação europeia do sector, sobre a possível perda de 30 mil postos de trabalho até dezembro próximo.

“A Europa tem de fazer alguma coisa, porque se perder esta indústria toda a economia sofrerá muito”, comenta José Couto sobre uma área que tem em Portugal 350 empresas, 64 mil postos de trabalho e um volume de negó­cios de €14,3 mil milhões, 85% dos quais relativos à exportação, representando 5,4% do PIB, 8,9% do emprego e 11,1% do Valor Acrescentado Bruto da indústria transformadora.

A surpresa sueca

Os encerramentos, insolvências e lay-offs na indústria portuguesa de componentes abrangeram cerca de 1500 postos de trabalho no final de 2024. Em 2025 as notícias “vão provavelmente conti­nuar a dar conta de empresas em dificuldade, combinando insolvências, encerramentos, despedimentos, lay-offs e bancos de horas”, admite.

“Algumas empresas até podem crescer, mas estamos numa fase de readaptação, reformulação de processos de produção, redução de produção, e isso afeta inevitavelmente as pessoas e Portugal, mesmo que o país continue a atrair encomendas”, afirma.

“Sabíamos que não era para crescer como em 2023, mas 2024 foi pior que o esperado”, diz a AFIA

E há subsectores que vão ser especialmente afetados? “As empresas que investiram menos na modernização, na inovação, nos últimos anos, até por problemas de tesouraria ainda decorrentes da covid, estão mais fragilizadas no momento em que há novas tecnologias, produtos e materiais a entrar no sector. Os cabos são um dos segmentos de mão de obra mais intensiva em que vemos multinacionais a deslocalizarem a produção”, responde.

Se nos 11,9 milhões de automóveis vendidos na Europa até novembro 3,7 milhões são elétricos e as soluções de mobilidade exigem cada vez mais eletrónica e digitalização, o presidente da AFIA sublinha que “a oferta nacional tem conseguido ser competitiva em áreas sofisticadas do ponto de vista tecnológico”. “O custo da mão de obra pesa nas empresas, em especial quando há aumentos do salário mínimo, e isso tem de ser repercutido em todos os patamares salariais, mas o trunfo de Portugal não está apenas no preço do trabalho. Houve evolução real da qualificação da mão de obra portuguesa e esse é um caminho que temos de continuar a fazer.”

Quanto aos principais mercados desta área, Espanha continua a liderar, com uma quota de 28% (apesar de uma quebra de 4,8% das exportações face a novembro de 2023), seguida da Alemanha, a absorver 23,7% das exportações (com uma quebra de 0,7%), e de França, responsável por 8,3% das vendas (e com uma descida de 25,7%). Pela positiva, os destaques são os Estados Unidos, com uma quota de 4,8% (+4%), e a Suécia, que cresceu 32,2%, à boleia de encomendas conquistadas à Volvo e tem uma fatia de 2,5% nas exportações lusas de componentes.


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