Depois de registar em 2025 o segundo melhor resultado de sempre, com 341.361 veículos produzidos e 97,8% da produção destinada à exportação, a indústria automóvel portuguesa enfrenta agora um novo desafio: competir pelos mesmos profissionais altamente qualificados procurados pelas empresas tecnológicas.
Esta é uma das principais conclusões do estudo prospectivo “Sector Automóvel em Portugal”, desenvolvido pela Gi Group Holding, especialista global em soluções de Recursos Humanos e desenvolvimento de talento, que conclui que o capital humano se tornou o principal factor diferenciador da competitividade industrial num sector em acelerada transformação tecnológica.
Com uma facturação superior a 42,6 mil milhões de euros, um contributo de 4,1% para o PIB nacional e cerca de 13% das exportações portuguesas, o sector automóvel continua a assumir um papel estratégico para a economia portuguesa. No entanto, a crescente incorporação de software, inteligência artificial, electrónica avançada e automação está a redefinir as competências mais procuradas pelas organizações.
À medida que a electrificação, a automação e a digitalização ganham peso, as empresas automóveis competem cada vez mais pelos mesmos perfis especializados procurados por organizações tecnológicas, aumentando a pressão sobre o mercado de trabalho qualificado.
«O automóvel deixou de ser apenas um produto mecânico para se afirmar cada vez mais como um produto tecnológico. Esta evolução está a alterar profundamente as competências procuradas pelas empresas e a aproximar a indústria automóvel dos desafios de atracção e retenção de talento tradicionalmente associados ao sector tecnológico», afirma Tiago Pacheco, Business director T&P Onsite da Gi Group Portugal.
Segundo o estudo, profissionais das áreas de engenharia, automação, mecatrónica, software, tecnologias de informação, análise de dados e inteligência artificial assumem um papel cada vez mais relevante para garantir a competitividade futura da indústria.
A análise conclui ainda que Portugal reúne condições para reforçar a sua posição na cadeia de valor automóvel europeia e evoluir de centro de produção para centro de desenvolvimento de soluções de mobilidade. Contudo, a concretização desta oportunidade dependerá da capacidade do país para garantir as competências necessárias para acompanhar a transformação tecnológica do sector.
Para a Gi Group Holding, o futuro da indústria automóvel portuguesa dependerá da capacidade de transformar o actual “paradoxo do talento” numa oportunidade estratégica, através de uma maior articulação entre empresas, academia e entidades públicas, promovendo a qualificação e requalificação contínua da força de trabalho.
O estudo destaca ainda que Portugal se encontra particularmente bem posicionado para reforçar o seu papel na cadeia de valor automóvel europeia. Com uma quota de veículos eléctricos (BEV) a aproximar-se dos 30% e uma indústria de componentes reconhecida pela sua capacidade de adaptação, o país reúne condições para evoluir de centro de produção para centro de desenvolvimento de soluções de mobilidade.
O estudo prospectivo “Sector Automóvel em Portugal” integra uma análise macroeconómica do sector, tendências do mercado de trabalho, testemunhos de líderes empresariais, casos de sucesso e um guia salarial das funções mais procuradas pela indústria automóvel nacional.
in Human Resources, por Margarida Lopes, 19-06-2026






