O Ministério da Economia congratulou-se com a escolha da fábrica de Palmela pelo grupo alemão para a produção do ID.EVERY1, um novo carro elétrico que “assegura” o futuro da unidade no país.
in ECO, Flávio Nunes, 11-03-2025
A Volkswagen e o Governo português confirmaram oficialmente esta terça-feira que a fábrica da Autoeuropa em Palmela, Setúbal, foi a escolhida pelo grupo para produzir o novo automóvel elétrico da marca, uma importante decisão para o futuro da economia portuguesa, há muito aguardada. O modelo que será produzido no país chama-se ID. EVERY1, com lançamento previsto para 2027 e um preço indicativo de 20 mil euros na Alemanha.
“A Volkswagen Autoeuropa foi escolhida para produzir o ID. EVERY1, um veículo elétrico inovador, concebido na Europa para a Europa”, lê-se no anúncio divulgado pela administração da fábrica. O “modelo de entrada de gama” combina “um design desportivo, um interior funcional e tecnologia digital avançada”, acrescenta a empresa, sendo um de quatro veículos elétricos da Volkswagen “assentes na moderna plataforma modular elétrica com tração dianteira”.
Reagindo à decisão, o Ministério da Economia congratulou-se com o anúncio da empresa alemã, porque “assegura o futuro” da fábrica portuguesa, campeã das exportações nacionais e que chega a valer mais de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. A escolha da Autoeuropa deverá também “atrair novos fornecedores” da Volkswagen para Portugal, num ciclo virtuoso de investimento, espera o gabinete do ministro Pedro Reis.
“De uma assentada, a economia portuguesa conquista a garantia de produção de um novo veículo elétrico, que assegura o futuro da unidade de Setúbal de uma fábrica de nova geração da Volkswagen, e de uma enorme cadeia de valor de fornecedores nacionais, por muitos anos”, diz o ministro da Economia, num dia que coincide com a votação de uma moção de confiança no Parlamento, da parte da tarde, que deverá ser chumbada pelo PS e conduzir à queda do Governo.
Para a Autoeuropa, que segundo o Governo conta atualmente com 4.842 trabalhadores, a notícia não representa só a conquista da produção do novo elétrico, mas sim a conversão da unidade de Palmela numa “fábrica eletrificada de nova geração e a adoção de processos de produção e logísticos, bem como a assemblagem robotizada de sistemas de baterias”, informa o Ministério da Economia.
“A fábrica de Palmela vai tornar-se mais eficiente e capaz de competir com fabricantes mundiais, alinhando a empresa, e Portugal, com os objetivos climáticos europeus de neutralidade carbónica, num cenário em que a União Europeia está a limitar a produção de carros a combustão e híbridos”, aponta também o gabinete de Pedro Reis, que fala num investimento “da ordem de várias centenas de milhões” de euros, sem, porém, indicar um valor exato.
A Comissão de Trabalhadores da fábrica confirmou ao ECO ter sido “informada oficialmente da decisão” nesta terça-feira de manhã, 11 de março, considerando-a “determinante para o futuro da fábrica e dos seus trabalhadores”. “Este novo produto permite olhar para um futuro em que a confiança e estabilidade são uma realidade mais próxima, não apenas no presente da fábrica, mas também para as novas gerações de trabalhadores”.
No entanto, apesar de reconhecer o “momento de celebração”, o organismo, coordenado por Rogério Nogueira, diz manter-se atento “aos desafios que a eletrificação automóvel traz para o setor” e para a fábrica. “A transição para os veículos elétricos exige um planeamento cuidadoso de modo a garantir que esta nova fase seja marcada por um crescimento sustentável. Estes novos modelos (T-Roc NF e ID.1) têm de significar uma janela de oportunidade para implementação de novos processos produtivos para uma resposta na melhoria das condições de trabalho”, acrescenta.





