Não é novidade para ninguém que todo o sector ligado à indústria automóvel na Europa está a passar por uma fase periclitante, de hesitação e de muita incerteza.
A velha Europa não tem tido uma estratégia eficaz na transição dos carros a combustão para os eléctricos. Deixou-se adormecer.
Por incrível que pareça até a Alemanha, país gerador e potenciador de grandes marcas a todos os níveis, ficou a dormir. E a França ou a Itália, também. Estes países eram a bússola da Europa.
Essa hesitação, foi fatal, evidencia fracas lideranças empresariais e governativas a que não estávamos acostumados.
Pelo caminho está a China que, não obedecendo às mesmas regras que a Europa, decide fazer e faz, porque é assim que funcionam as ditaduras, aproveitou o momento e começou a construir carros eléctricos a baixo preço, combatendo, por esta via os modelos, os carros americanos da Tesla.
Obviamente que fazer uma fábrica na China, onde a qualidade de vida e as condições de trabalho dos chineses não tem nada de semelhante com o que, na Europa se faz. Ali, as regras ambientais, os licenciamentos e os direitos dos trabalhadores não existem.
Mas para o consumidor final o preço manda e o resto não conta.
Os poucos modelos que a Europa vai produzindo são muito caros e, nas nossas estradas, o que vemos são carros chineses.
Se terão algum futuro e fiabilidade, é uma incógnita…
Enquanto a Europa vai dando alguns sinais para sair do seu torpor, há fabricas que encerram ou diminuem postos de trabalho.
Aconteceu nos Arcos de Valdevez, onde duas empresas ligadas ao sector automóvel despediram 750 trabalhadores. O mesmo aconteceu, principalmente em Palmela com a Vanpro, com 475 trabalhadores.
Em Vila Nova de Cerveira, onde há empresas que há muitas décadas se dedicam ao fabrico de componentes para o sector automóvel, há uma empresa de referência, a Gestamp, que vai prescindir de 40 postos de trabalho.
Ao nível Europeu, o enorme conglomerado da Volkswagen começou por admitir ter que despedir, em todo o mundo, 50 mil funcionários, até 2030.
Entretanto, esses números agora andam entre os 100 mil e os 150 mil despedimentos.
São nuvens cinzentas no sector automóvel que ameaçam postos de trabalho, a economia nacional e a economia do nosso concelho.
Porém, e por enquanto, há na Europa alguns sinais de que estão a começar a enfrentar a China, com modelos eléctricos a preços competitivos. Mas, pelo meio, alguém sofrerá…
É evidente que o mercado de trabalho está pujante e tem absorvido parte dessa mão-de-obra, com outra empresas que se vão instalando.
Mas não são boas notícias.
(José Venade não segue o actual acordo ortográfico em vigor)
in Minho Digital, artigo de opinião de José Venade, 21-08-2026






