A Europa prepara-se para um outono de decisões inadiáveis
in Expresso, artigo de opinião: Manfred Weber, Presidente do Grupo PPE e Paulo Cunha, eurodeputado, chefe da Delegação do PSD no PE e Membro da Comissão da Indústria, 06-10-2025
Seja em matéria de competitividade, defesa ou controlo das migrações, as decisões que serão tomadas nas próximas semanas no Parlamento Europeu devem servir de alavanca para garantir o caminho rumo à autonomia estratégica do nosso continente. Temos de estar à altura desta responsabilidade e acelerar o nosso trabalho. Os sinais de declínio acumulam-se e os pedidos de ajuda por parte das empresas tornam-se cada vez mais urgentes.
Vejamos, por exemplo, a situação da indústria automóvel, talvez o caso mais emblemático. Um simples passeio pelos corredores do Salão Automóvel de Munique, em setembro, onde os stands chineses exibiram tecnologias de ponta, bastou para convencer qualquer um do atraso impressionante da União Europeia – causado, em grande medida, por decisões ideológicas de curta visão.
Nós, europeus, líderes mundiais no motor de combustão interna, estabelecemos como norma uma tecnologia na qual Pequim tem uma vantagem de uma década, para além de deter o acesso privilegiado a terras raras. Uma autêntica loucura que nos saiu muito cara – não apenas em termos de inovação, mas também de emprego. Na Europa, 90.000 pessoas já perderam os seus postos de trabalho neste setor. Milhares de famílias enfrentam situações dramáticas e nas economias locais as consequências são devastadoras. Felizmente, ainda é possível corrigir os erros do passado, e estamos a trabalhar para convencer outros grupos políticos – nomeadamente os liberais e os Socialistas – a mudar de rumo.
Desde o dia da sua adoção, dissemos e escrevemos que é urgente rever a proibição do motor de combustão interna a partir de 2035. Devemos, sem dúvida, manter metas climáticas ambiciosas, mas estas têm de ser alcançáveis. O único caminho viável é a neutralidade tecnológica. A descarbonização deve basear-se num método de cálculo que considere todo o ciclo de vida do veículo – e não apenas as emissões no tubo de escape. É uma abordagem pragmática que deixa espaço para os combustíveis sintéticos e biocombustíveis, sem excluir automaticamente nenhuma tecnologia. Os europeus devem ter o direito de escolher o carro que querem comprar. Essa decisão não deve ser imposta pelos políticos.
Acreditar que o automóvel elétrico é completamente neutro para o ambiente é uma ilusão. Na semana passada, Ursula von der Leyen deu um passo importante ao afirmar que está pronta para ativar a “cláusula de revisão” e apresentar, até ao final de 2025, uma proposta com medidas mais flexíveis. Só podemos saudar este primeiro passo, que precisa de ser concretizado com rapidez e eficácia.
A presidente defendeu ainda o aumento da produção na Europa, em particular de veículos elétricos pequenos. Trata-se, evidentemente, de uma boa ideia – é urgente que a UE possa competir neste segmento e enfrentar os modelos chineses que estão a invadir o nosso mercado. Mas, para isso, será necessário rever primeiro toda a regulamentação desproporcionada, desnecessária ou mesmo contraproducente, que apenas encarece os nossos próprios veículos.
Sejam representantes da indústria automóvel ligeira ou pesada, ou dos sindicatos do setor, todos com quem nos reunimos partilharam a mesma mensagem: deixem-nos inovar!
Manfred Weber, Presidente do Grupo PPE e Paulo Cunha, eurodeputado, chefe da Delegação do PSD no PE e Membro da Comissão da Indústria





