As exigências do tecido empresarial para o Orçamento do Estado para 2026 são muitas e diversificadas, assim como as medidas que gostavam de ver revertidas ou aquelas que não querem ver surgir no documento. O Negócios desafiou representantes da economia real a revelarem os seus desejos para o OE, mas também a traçarem a “linha vermelha” que não querem ver ultrapassada.
in Jornal de Negócios, por Diana do Mar, Hugo Neutel, Inês Pinto Miguel, Patrícia Vicente Rua, Rui Neves, 07-10-2025
A fiscalidade domina as preocupações do tecido empresarial para o Orçamento do Estado do próximo ano, mas não é o único tema que os gestores querem ver plasmados no doumento – ou, dependendo do prisma, ausente dele. Eis as bandeiras verdes e vermelhas das empresas para o OE 2026.
AFIA
Incentivos à indústria
- A isenção fiscal ao investimento e o aumento da competitividade da indústria são duas das preocupações da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA). “A AFIA gostaria de ver no OE medidas que pudessem estimular o investimento da indústria, de forma a aumentar a competitividade do país”, diz o presidente da AFIA. Para José Couto, “o crescimento das exportações determina que as empresas invistam na modernização tecnológica e em todas as vertentes que imprimam ganhos de produtividade, bem como o investimento nacional em infraestruturas”. A AFIA insiste por isso que “o OE deveria permitir que as empresas usassem os seus resultados, sem custos fiscais, em investimento e capitalização”. Há ainda que melhorar a “distribuição de riqueza, valorizando o desempenho e os protagonistas pela evolução da produtividade”.
Descomplicar os impostos
- A tributação da atividade das empresas deveria ser simplificada, defende a Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA). O presidente da associação, José Couto, entende por isso que “a manutenção do complexo quadro fiscal e de múltiplas formas de taxação da atividade das empresas” constitui uma linha vermelha: deveria, no seu entender, ser revista na proposta de Orçamento do Estado para 2026 que o Ministério das Finanças vai entregar na Assembleia da República. Na fiscalidade, além da carga fiscal propriamente dita, a complexidade fiscal é outro problema denunciado há muito pelo tecido empresarial.






