Indústria automóvel tem um pé no travão e outro no acelerador

Sector automóvel tem de “reajustar” oferta devido à quebra da indústria europeia, mas há novas oportunidades de negócio para explorar

in Expresso, por Margarida Cardoso | Jornalista, Vítor Andrade | Coordenador de Economia, Pedro Nunes | Fotojornalista, 27-03-2026


A indústria de componentes para automóveis começou o ano a travar a fundo, com as exportações a caírem 6,9% em janeiro face ao mesmo mês do ano anterior. “As nossas expectativas para este ano são de quebra na produção e na exportação, porque a Europa, o nosso maior cliente, está em queda e no cenário mais grave traçado para o sector a produção pode cair 8% este ano”, afirma José Couto, presidente da AFIA — Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, antecipando o risco de a descida ser maior do que em 2025 (-4,8%).

“O ano até pode fechar com um valor positivo na venda de viaturas, na Europa, mas isso não significa que estamos a comprar mais automóveis europeus. Significa, sim, que as importações de marcas chinesas estão a aumentar. E se os nossos clientes baixam a produção, o que pode afetar milhões de trabalhadores, em Portugal temos de reajustar, reformular, reprogramar”, sublinha o dirigente associativo, sem avançar previsões relativamente ao impacto deste ciclo negativo no emprego, até por ser difícil prever até que ponto o Industrial Accelerator Act proposto pela Comissão Europeia vai efetivamente acelerar a indústria.

O sector agrega 360 empresas e 63 mil trabalhadores. Representa 5% do PIB e 14,8% do investimento da indústria transformadora

Certo é que o sector automóvel envolve 30 CAE (classificação de atividades económicas), abrangendo sectores como a metalurgia, os moldes, o vidro ou a cortiça, de acordo com os dados da AFIA, que agrega 360 empresas de componentes e 63 mil trabalhadores em Portugal, somando um volume de negócios de €14,3 mil milhões, com uma quota de exportação direta de 85%. O sector representa 5% do PIB, 8,8% do emprego, 12,% do valor acrescentado bruto e 14,8% do investimento total da indústria transformadora. Em 2025, a fileira exportou €11,6 mil milhões, 15% das exportações nacionais de bens transacionáveis.

Já as cinco fábricas de automóveis instaladas em Portugal produziram 341.361 veí­culos em 2025 (+ 2,7%), com a Autoeuropa a registar o seu segundo melhor ano de sempre no país, depois de fabricar 240.400 carros na fábrica de Palmela, 70% do total nacio­nal, mantendo o seu lugar no topo do ranking das maiores exportadoras nacionais, ao lado de empresas como a Bosch Car Multimédia ou a Continental Mabor.

Defesa no radar

Apesar de o sector estar a travar, José Couto acredita que “alguns produtores podem reforçar a presença em Portugal, onde já há cinco centros tecnológicos de produção de conhecimento de algumas das principais marcas automóveis”. No entanto, “empresas muito intensivas em mão de obra tendem a ir para outros países, como Marrocos, onde as exportações lusas cresceram 23,7% em 2025”.

Mas o que correu mal para o sector passar de uma série de cinco recordes consecutivos, para um ciclo negativo? “Houve uma alteração da motorização e a Europa não avaliou bem o que estava a acontecer noutros países, nomeadamente na China. Houve sobranceria relativamente aos competidores e empurrámos a indústria europeia para países com custos de produção mais baixos”, responde.

Num momento “crucial para investir em investigação e desenvolvimento”, a AFIA nota que “faltam meios às empresas”. “Muitas estão preocupadas em resolver os problemas criados pelo comboio de tempestades, por exemplo. Isso tira-lhes capacidade para outras respostas em termos de competitividade.”

A olhar para o futuro, a AFIA acredita na “ligação ibérica”: “Os investimentos do outro lado da fronteira acabam sempre por ser muito importantes para a indústria nacional de componentes”, sublinha o dirigente associa­tivo. A área da defesa, em que a Europa está a apostar, assim como o sector aeroespacial são “oportunidades para manter capacidade de produção”, refere.

A justificar algum otimismo, destaca também os acordos da União Europeia com o Mercosul e com a Índia. Apesar da quebra em 2025, a fileira lusa “ganhou quota na Europa nos últimos seis anos”: A produção automóvel caiu 5% desde 2019, mas o volume de negócios do sector em Portugal cresceu ao ritmo médio anual de 2,8%.

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