A indústria automóvel europeia continua a cair como um castelo de cartas. Só esta segunda-feira a britânica Jaguar Land Rover anuncia o corte de quatro mil postos de trabalho, enquanto a Volkswagen, que tenciona despedir 19 mil pessoas, dá sinais de transformação e substitui uma fábrica automóvel pela produção e armamento.
É um sinal dos tempos. Os ventos de guerra na Europa estão a impulsionar a indústria de defesa, enquanto os carros fabricados no velho continente continuam a fraquejar perante as tarifas norte-americanas, a concorrência chinesa e a queda do poder de compra dos europeus.
A Volkswagen anuncia que a fábrica de automóveis de Osnabrück, no norte da Alemanha, vai passar a produzir equipamento militar e admite que o mesmo pode acontecer em outras unidades do grupo.
Para já, a Volkswagen fechou um acordo com o Estado da Baixa Saxônia para abrir um centro de excelência para produtos de segurança e defesa, através de uma parceria com uma empresa israelita. O objetivo final é construir sistemas de defesa aérea para o continente europeu. Esta conversão também visa manter a maioria dos postos de trabalho.
O grupo Volkswagen admite, porém, fechar quatro fábricas e cortar 19 mil empregos nos próximos meses.
A crise também bate à porta do Reino Unido. A Jaguar Land Rover emprega 43 mil pessoas em todo o mundo e vai demitir quatro mil nos próximos dois anos. A empresa garante que os cortes vão sentir-se sobretudo na sede da empresa, no Reino Unido. O presidente executivo promete tratar com justiça e respeito os trabalhadores que queiram sair voluntariamente até 4 de outubro. A notícia vai-lhes chegar por e-mail nos próximos dias.
O impacto desta crise europeia na indústria de componentes é inevitável. À TSF, José Couto, da Associação de Fabricantes da Indústria Automóvel, estima que, nos próximos três anos, o setor perca entre 750 e mil trabalhadores, mas podem ser mais, em função da queda na produção de carros e no avanço tecnológico.
“Nós hoje podemos dizer que haverá uma perda significativa de postos de trabalho. A indústria de componentes tinha 13 milhões de postos de trabalho afetos à indústria só de componentes, não estamos a falar sequer da indústria automóvel, e é evidente que, ao baixar 10% nestes postos de trabalho – imaginem, é um número que eu estou a tirar para o ar sem sequer estar a dizer correto – temos aqui um problema significativo para os países que neste momento acolhem a indústria automóvel“, alerta.
Cabe, por isso, aos Estados tudo fazer para que “isso não aconteça”. Mas, por este ser um período em que as “coisas acontecem a uma velocidade muito maior do que aquilo que acontecia no século XX”, José Couto considera que estes trabalhadores podem ser fácil e rapidamente transferidos para outros setores.
“Esta é uma revolução que rapidamente pode pegar os postos de trabalho dispensados pela indústria de automóvel e introduzi-los noutros setores com vantagem, porque os nossos trabalhadores, os trabalhadores da indústria de automóvel, são muito capacitados e têm muitas competências“, reconhece.
in TSF, por Dora Pires, 07-09-2026







