Pode ser um componente simples, de uso quotidiano, ou um produto sofisticado para as indústrias dos dispositivos médicos, automóvel ou aeroespacial. A Iberomoldes tem, ao longo dos últimos 50 anos, investido numa rede de competências diversa e especializada, que vai desde o design, engenharia e prototipagem – com o fabrico de todo o ferramental, onde se incluem os moldes–, à industrialização, produção e entrega ao cliente do produto final. Os seus produtos e serviços estão presentes em mais de 120 países.
in Portugalglobal n.º 183, fevereiro 2025
A Iberomoldes, um grupo industrial totalmente português, foi fundada em 15 de setembro de 1975, num período de grande turbulência política, social e económica, em que começar uma empresa impunha determinação, coragem e inovação. Isso era ainda mais relevante em negócios assentes na exportação, como era o caso da indústria de moldes.
Joaquim Menezes, presidente do Conselho de Administração do Grupo Iberomoldes, recorda que a visão dos fundadores passava pela criação ou aquisição de empresas que permitissem ao Grupo disponibilizar no mercado uma oferta integrada, desde o design, passando pelo desenvolvimento, engenharia e prototipagem, com o fabrico de todo o ferramental, onde se incluem os moldes, a industrialização e produção, até à entrega ao cliente do produto final, procurando servir o mercado em conceito de “one-stop shop”. Essa visão foi concretizada ainda na década de 70, e reforçada em meados dos anos 80, com a constituição da SETsa, empresa de engenharia e desenvolvimento de produto, e com a aquisição da Abrantes, empresa fundadora da indústria de moldes portuguesa, onde os próprios fundadoresda Iberomoldes tinham começado, ainda adolescentes, a sua carreira profissional.
De forma mais consolidada, a visão inicial dos fundadores da Iberomoldes foi atingida em 1993 com a constituição a Iber-Oleff, uma joint-venture luso-alemã que nasceu da oportunidade criada pela fundação da Autoeuropa em Portugal, também esta uma joint-venture entre a Ford e a Volkswagen. Hoje a Iberomoldes é um grupo de nove empresas e uma referência global.
“As nossas empresas estão organizadas como um cluster interativo, constituindo-se como uma rede de competências diversas e especializadas”, adianta Joaquim Menezes. A sua oferta abrange desde simples produtos em plástico, e de uso quotidiano, até aos mais sofisticados componentes para as indústrias automóvel e aeroespacial.
Os serviços e produtos da Iberomoldes destinam-se maioritariamente às indústrias automóvel, dispositivos médicos, aeroespacial e defesa, que representam na sua globalidade cerca de 85 por cento da faturação do Grupo.
Entre os clientes da Iberomoldes, destacam–se a Plasson, fabricante global de conexões de plástico para tubos e sistemas de distribuição de água ou gás, para a qual a Iberomoldes produz desde 1979, ou a conhecida fabricante de malas de viagem Samsonite. “Mais recentemente, e no âmbito das indústrias automóvel e aeronáutica, destacam-se os projetos de inovação para a Ferrari e para a Alice, da Eviation, a primeira aeronave 100 por cento elétrica com mais de 10 assentos”, adianta Joaquim Menezes.
Exportações rondam os 90 por cento
O Grupo Iberomoldes tem hoje mais de 800 profissionais e o seu volume de negócios ultrapassa os 60 milhões de euros, dos quais cerca de 90 por cento provêm da exportação. Alemanha, Espanha, EUA, Eslováquia, Áustria, Hungria e Polónia são alguns dos principais mercados, mas os produtos e serviços do Grupo chegam a mais de 120 países.
“A exportação é o caminho incontornável para a ambição e sustentabilidade do nosso Grupo, e a história da Iberomoldes é muito vasta em experiências em muitos países, desde a Tunísia em 1981, passando pela Suécia, Reino Unido, Alemanha, Brasil e México. Mais de 90 por cento do que se produz é para o mercado externo, assumindo especial destaque a Europa Central e de Leste”, sublinha o presidente do Grupo Iberomoldes.
Sobre o percurso da empresa e da indústria portuguesa de moldes em geral, Joaquim Menezes considera que se tem desenvolvido em permanente procura de soluções diferenciadas, “ombro a ombro com maiores e mais pequenos, independentemente do país, porque hoje a competição é mesmo global e intensa”. Nesse contexto, adianta, “a permanente monitorização dos mercados gera oportunidades que necessitam de ser equacionadas”, o que, adianta, implica investimento nos profissionais, em tecnologia e em inovação.
“O Grupo Iberomoldes sempre investiu em inovação. Seja através de metodologias e processos, seja – principalmente – através de uma oferta que acompanhe as oportunidades e necessidades do mercado”, sublinha Joaquim Menezes. “O posicionamento da Iberomoldes passa por servir os clientes com uma oferta integrada de competências e inovação permanente”. Exemplo disso é o envolvimento do grupo em redes europeias de inovação e em projetos IDT com alguns dos melhores centros de conhecimento nacionais e internacionais.
“A equipa de inovação do Grupo Iberomoldes é formada por um conjunto de pessoas que procuram criar e monitorizar o que de mais moderno se desenvolve no mundo, aprendendo e partilhando competências em rede”, diz Joaquim Menezes. Por isso, desde a década de 90 que o grupo tem estado envolvido em projetos de escala mundial com parceiros de diversos países, da China ao Brasil ou México, passando obviamente pela Europa. “Essa cooperação permite vencer a pressão, na produção, para cumprir prazos curtos, exigidos cada vez mais pelos clientes”.
A cooperação internacional tem sido, por isso, uma componente fundamental do processo de internacionalização da Iberomoldes. “Através dessas redes de cooperação, e da partilha do conhecimento, é que se podem atingir outros patamares de excelência e servir mercados que são cada vez mais desafiantes”, sublinha Joaquim Menezes. “Estando a empresa relativamente distante dos seus clientes e consumidores finais, existe a imperiosa necessidade de fazer das competências e agilidade a ‘ponte’ que estreita essas distâncias”.






