IAA Transportation 2026: Bosch ambiciona duplicar vendas no negócio dos veículos industriais pesados

As tecnologias-chave são os sistemas de propulsão de elevado desempenho e as soluções para camiões definidos por software.

  • Markus Heyn: “O negócio dos veículos industriais pesados é uma das nossas principais áreas de crescimento. O nosso objetivo é duplicar as vendas neste segmento até meados da próxima década.”
  • Em 2026, um em cada três camiões elétricos matriculados na Europa integrará motores elétricos e inversores da Bosch
  • Uma importante encomenda de um fabricante global de veículos industriais para sistemas de propulsão elétrica reforça uma colaboração estratégica de longo prazo.
  • Com a combinação de sensores inteligentes e software avançado, a Bosch impulsiona a condução automatizada e contribui para reduzir o custo total de propriedade das frotas.

O setor do transporte rodoviário encontra-se perante uma transformação sem precedentes, marcada simultaneamente por grandes oportunidades e desafios significativos. O crescimento do comércio internacional, os requisitos regulamentares cada vez mais exigentes e a escassez de motoristas continuam a aumentar a pressão sobre as empresas de transporte e a elevar os seus custos operacionais. Perante este contexto, a Bosch aposta na inovação tecnológica como alavanca para melhorar a eficiência, a competitividade e a sustentabilidade do setor.

“O negócio dos veículos industriais pesados é uma das nossas principais áreas de crescimento. O nosso objetivo é duplicar as vendas neste segmento até meados da próxima década”, afirmou Markus Heyn, vice-presidente do Conselho de Administração da Bosch e presidente da área de negócio Mobility, durante a feira IAA Transportation 2026, em Hannover.

Apesar da incerteza que atravessa a indústria automóvel, o mercado dos veículos industriais pesados mantém uma evolução mais robusta do que outros segmentos. A Bosch prevê que a produção mundial de camiões com mais de seis toneladas atinja os 3,3 milhões de unidades em 2026, com uma tendência de crescimento que poderá elevar este número para cerca de 4 milhões a meio da década de 2030. Com base nesta evolução e apoiada pela crescente adoção de novas tecnologias, a empresa estima que as suas vendas relacionadas com tecnologias para veículos industriais pesados poderão duplicar até 2035, face aos mais de 4 mil milhões de euros que este negócio gera atualmente.

“Estamos a tirar partido da nossa força enquanto fornecedor global de sistemas para acelerar a transição para novos sistemas de propulsão e arquiteturas de veículos mais avançadas”, acrescenta Heyn. A oferta da Bosch abrange hardware, software, inteligência artificial e serviços conectados baseados na cloud, concebidos para tornar a operação dos veículos industriais mais segura, eficiente e rentável.

Além disso, a empresa continua a expandir a sua atividade em novas áreas de negócio. Entre as suas iniciativas destaca-se a criação prevista de uma joint venture com a Brakes India e a Wheels India, empresas pertencentes ao grupo TSF, para o desenvolvimento de atuadores inteligentes destinados a sistemas de geração e tratamento de ar comprimido, suspensão pneumática e travões de estacionamento.

Sistemas de propulsão para uma transição tecnológica diversificada

A estratégia de crescimento da Bosch assenta num vasto portefólio de tecnologias de propulsão alternativas. No domínio da mobilidade elétrica, a empresa consolidou uma posição de destaque no mercado europeu: em 2026, um em cada três camiões elétricos matriculados na Europa utilizará motores elétricos e inversores da Bosch. Esta posição de liderança é reforçada por um importante acordo com a Daimler Truck para o fornecimento de componentes de propulsão elétrica produzidos na Europa destinados ao camião elétrico eActros.

Contudo, a transição para uma mobilidade mais sustentável avança a ritmos diferentes consoante as regiões. Enquanto a eletrificação acelera particularmente na China, a Bosch estima que cerca de 25% dos camiões pesados de nova matriculação a nível mundial serão veículos de baixas emissões em 2030, quer movidos a bateria, quer a pilha de combustível. Este valor poderá atingir aproximadamente 50% em 2035. No mercado norte-americano, por outro lado, os motores diesel, incluindo os eletrificados através de tecnologias híbridas, continuarão a desempenhar um papel importante nos próximos anos.

“Alcançar os objetivos climáticos globais no transporte exige uma combinação de tecnologias. Não se trata de escolher entre uma ou outra solução, mas de aproveitar todas as opções que contribuam para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis”, explica Heyn. “As baterias estão a afirmar-se como a tecnologia predominante, mas o transporte pesado de longa distância continuará a necessitar de soluções complementares, como o hidrogénio e os combustíveis alternativos.”

Por esse motivo, a Bosch mantém uma estratégia assente na diversidade tecnológica. Além de desenvolver módulos de pilha de combustível, a empresa fornece componentes-chave para motores de combustão alimentados a hidrogénio e continua a reforçar a sua posição nas tecnologias diesel através da otimização de sistemas de injeção convencionais capazes de cumprir futuras normas de emissões, como a Euro 7. Paralelamente, os combustíveis sintéticos renováveis poderão desempenhar um papel relevante na aceleração da descarbonização do parque automóvel em circulação.

Sensores inteligentes para responder aos novos requisitos de segurança

A transformação do transporte pesado vai muito além da propulsão. A União Europeia tem vindo a introduzir progressivamente novos requisitos de segurança obrigatórios para veículos industriais, incluindo as mais recentes medidas implementadas em julho de 2026. Entre estas destacam-se sistemas avançados de travagem de emergência capazes de detetar peões e ciclistas, bem como tecnologias de monitorização do condutor destinadas a identificar sinais de distração ou fadiga.

A Bosch responde a estas exigências com uma vasta gama de sensores e sistemas avançados de assistência à condução (ADAS). Em 2027, a empresa irá lançar novas gerações das suas câmaras multifunções e sensores de radar, que incorporarão capacidades melhoradas de deteção de pessoas e veículos graças a algoritmos de inteligência artificial e a uma maior capacidade de processamento. Além disso, a Bosch iniciou este ano a produção em série de um espelho retrovisor digital com câmara integrada para dois fabricantes europeus de referência. Este sistema monitoriza o comportamento do condutor e gera alertas sempre que deteta possíveis distrações.

A tendência para padrões de segurança mais exigentes estende-se também a outros mercados estratégicos, como a Índia e a China, onde as novas regulamentações estão a impulsionar a adoção de tecnologias como o assistente de travagem de emergência e os sistemas de deteção de ângulo morto. A Bosch já colabora com fabricantes líderes de veículos industriais nestas regiões para apoiar a implementação destes novos sistemas.

Graças ao seu portefólio abrangente de sensores, câmaras e radares, combinados através de software inteligente capaz de processar dados em tempo real, a Bosch contribui para criar uma visão completa do ambiente que envolve o veículo, melhorando significativamente a segurança e o conforto de condução. Estas tecnologias constituem igualmente a base para níveis mais avançados de automatização.

“A condução automatizada de nível 4 é um dos grandes objetivos, especialmente para ajudar a mitigar a escassez de condutores no setor da logística. O software permitirá assumir tarefas de condução cada vez mais complexas e reduzir a carga de trabalho ao longo da cadeia de transporte”, afirma Heyn.

Rumo ao veículo industrial definido por software

A digitalização está a transformar o design e o funcionamento dos veículos industriais. O número crescente de funções relacionadas com a propulsão, a assistência à condução e a automatização está a aumentar a complexidade das arquiteturas elétricas e eletrónicas. Para responder a este desafio, a indústria está a evoluir para modelos assentes em plataformas de computação centralizadas, capazes de integrar múltiplas funções do veículo. Em paralelo, acelera-se a separação entre hardware e software, um requisito fundamental para disponibilizar novas funcionalidades através de atualizações remotas (over-the-air) ao longo de todo o ciclo de vida do veículo.  A Bosch e a sua subsidiária ETAS desenvolvem as arquiteturas elétricas e eletrónicas necessárias para esta nova geração de veículos, incluindo computadores centrais de elevado desempenho e plataformas de software escaláveis.

“O veículo definido por software está gradualmente a tornar-se uma realidade também no transporte rodoviário”, conclui Heyn. “A nossa experiência em hardware e software permite-nos oferecer soluções integradas que ajudam a reduzir a complexidade operacional e a melhorar o principal indicador para os gestores de frotas: o custo total de propriedade.”

Com esta abordagem, a Bosch reafirma o seu compromisso com uma mobilidade mais eficiente, segura e sustentável, impulsionando a transformação tecnológica do transporte pesado tanto na Europa como em mercados estratégicos em todo o mundo.

 

in Bosch, 14-09-2026

 

 

 

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