A HORSE Aveiro nasce de mais de quatro décadas de tradição industrial e é hoje um dos centros de competências de referência da HORSE Powertrain, uma joint-venture entre o Grupo Renault e a Geely, com participação da Aramco. Produz caixas de velocidades, componentes mecânicos e produtos eletrificados e foi a primeira fábrica do grupo a industrializar componentes para motorizações híbridas, como a Power Electronics Box (PEB) – unidade responsável pela gestão da energia elétrica do sistema híbrido – e o motor elétrico.
A Horse Aveiro tem uma posição central na estratégia do grupo HORSE Powertrain enquanto centro de competência em engrenagens, motores híbridos e elétricos. A empresa tem vindo a trazer ao grupo novos fornecedores, parceiros e clientes e em 2025 a sua faturação aumentou 23 por cento, atingindo os 562 milhões de euros.
Com mais de 1.500 trabalhadores, a HORSE Aveiro está integrada em algumas das principais cadeias de abastecimento globais do setor automóvel e exporta toda a sua produção. A fábrica de Aveiro foi a primeira do grupo a industrializar componentes para motorizações híbridas, como a Power Electronics Box (PEB) – unidade responsável pela gestão da energia elétrica do sistema híbrido – e o motor elétrico, recorda José Ribafeita, chief financial officer (CFO) da HORSE Aveiro.
A implementação da linha de PEB, considerada um exemplo de digitalização integral e de aplicação dos conceitos de Indústria 4.0, constituiu um marco tecnológico que obrigou a empresa a superar desafios complexos, nomeadamente a integração entre sistemas físicos, equipamentos de automação e plataformas centrais de gestão de dados. Para alcançar esse resultado, a HORSE Aveiro levou a cabo uma mudança de paradigma, de uma linha mecânica tradicional baseada em hardware para um design ágil assenteem software e com uma arquitetura datacentric que garante a sincronização e a comunicação, em tempo real, em todo o ecossistema da linha.
Ao adotar uma arquitetura centrada nos dados, a HORSE Aveiro alcançou ganhos muito expressivos, nomeadamente uma grande flexibilidade que permite gerir a produção de acordo com o volume necessário e as várias exigências. Essa mudança também permitiu aumentar a produtividade e a rastreabilidade, que são fatores críticos na produção de componentes de alto valor para veículos híbridos e elétricos.
Ao exportar a totalidade da sua produção, a HORSE Aveiro compete diretamente com as melhores unidades industriais à escala mundial. Na base dessa competitividade estão os princípios Lean, uma metodologia de gestão orientada para a eliminação de desperdícios e a melhoria contínua dos processos, que constituem os alicerces sobre os quais se constrói a inovação. “É sobre essa base que a digitalização acrescenta valor. Os investimentos em automação, robótica colaborativa, visão artificial e gestão de dados em tempo real traduzem-se em ganhos concretos de produtividade, qualidade e flexibilidade, permitindo otimizar custos através da eficiência energética e da redução de desperdícios”, sublinha o responsável da HORSE Aveiro. “Esta combinação entre rigor de processo e tecnologia é o que mantém a unidade portuguesa competitiva e atrativa para a alocação de novos projetos dentro do grupo”.
Em 2025 a HORSE Aveiro foi distinguida com o Prémio Nacional de Inovação, na categoria Robótica e Aeroespacial, pelo projeto Matrix Flow Line, baseado em robôs móveis colaborativos e sistemas inteligentes de produção. Esse projeto consiste numa linha de montagem que substitui os tradicionais tapetes transportadores por robôs móveis colaborativos, coordenados por um sistema central e integrados com visão artificial e gémeos digitais. “O resultado é uma fábrica inteligente que combina flexibilidade, tomada de decisão autónoma em tempo real e eficiência energética, com uma redução próxima de 50 por cento no consumo de energia e área fabril”, explica José Ribafeita.
A criação de uma linha totalmente digitalizada e colaborativa obrigou a superar desafios técnicos significativos, como a integração entre Mobile Programmable Cobots (MPC), sistemas de visão e digital twin (gémeos digitais), mas o principal obstáculo prendeu-se com a necessidade de harmonizar tecnologias de domínios distintos num único ambiente, garantindo uma colaboração segura entre os operadores humanos e a robótica móvel.
Por sua vez, o recurso a gémeos digitais permitiu testar, simular e corrigir erros na linha de produção num ambiente virtual antes de investir na instalação física, poupando meses de afinações. “A adoção dos MPC eliminou tarefas fisicamente desgastantes para os operadores, resultando em ganhos massivos de ergonomia, segurança e fluidez produtiva”.
Para José Ribafeita, a maturidade digital de uma unidade já deixou de ser um diferencial para se tornar num pré-requisito. “Uma fábrica que domina a robótica colaborativa, a visão artificial, os gémeos digitais e a gestão de dados oferece garantias que pesam na decisão de atribuir novos projetos”.
in Revista Portugalglobal, n.º 199 | julho / agosto 2026






