Com um peso de mais de 15% nas exportações nacionais, a alteração das metas de emissões europeia vão impactar a indústria de componentes.
in Razão Automóvel, por Mariana Teles,18-12-2025
O recuo da Comissão Europeia (CE) na meta de redução de 100% das emissões a partir de 2035, que vai permitir a continuação do motor de combustão, trouxe algum alívio ao setor automóvel europeu e à indústria de componentes portuguesa. Caso a meta se mantivesse, as exportações portuguesas e as empresas do setor, seriam “fortemente prejudicadas”.
Quem o diz é José Couto, presidente da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel. Em declarações ao ECO, o responsável sublinhou que a exigência original de produzir apenas veículos elétricos representaria uma “autopunição” para toda a indústria, assim como para a Europa.
“As empresas de componentes seriam fortemente prejudicadas e teriam de realizar investimentos fortíssimos para se adaptar às novas exigências”, afirmou. No ano passado, a indústria de componentes para automóveis representou 15,4% das exportações portuguesas de bens transacionáveis, o que equivaleu a 12,2 mil milhões de euros — um peso significativo na balança comercial.
Ontem, dia 16 de dezembro, a Comissão Europeia (CE) anunciou que as metas de redução de 100% das emissões de dióxido de carbono (CO?) em 2035 iam cair, passando para uma redução de 90% face aos níveis de 2021.
A decisão surge como resposta às dificuldades expressas pela indústria, que tem-se debatido com vendas de elétricos muito abaixo do esperado — quota de apenas 16,4% entre janeiro e outubro (fonte: ACEA), quando já devia rondar os 30% —, tornando o cumprimento das metas de emissões definidas pela UE inviável. Segundo Couto, esta redução vai incentivar a adoção de materiais com menor pegada ambiental e impulsionará investimentos em tecnologia e investigação e desenvolvimento.
O novo Pacote Automóvel europeu também inclui medidas de apoio à produção de baterias e incentivos para a adoção de veículos elétricos, e novas regras para frotas empresariais, além de fomentar a produção de componentes com menor impacto ambiental. Para o presidente, estas medidas ajudam a equilibrar a necessidade de inovação tecnológica com a realidade económica do setor e garantem que Portugal continua a integrar a cadeia de valor automóvel europeia.
No mês passado, Jorge Castro, vice-presidente da AFIA previu uma “ligeira desaceleração” na venda de componentes automóveis portugueses em 2025. De acordo com as projeções, o setor deverá fechar o ano com um volume de negócios de 14,2 mil milhões de euros, o que representa uma queda de 1,4% face a 2024. As exportações deverão abrandar, descendo de 12,2 mil milhões de euros no ano passado para 11,7 mil milhões este ano — uma redução de cerca de 4%.
Outras opiniões
Outros atores do setor partilham da mesma visão. Rodrigo Ferreira da Silva, presidente da Associação Nacional do Ramo Automóvel (ARAN), considera que a flexibilização da UE é uma “adaptação à realidade”, evitando metas inalcançáveis em prazos muito curtos.
A Associação Automóvel de Portugal (ACAP) salienta que a decisão europeia permite que os construtores cumpram as metas climáticas com mais segurança e flexibilidade, evitando penalizações financeiras severas.






