Vendas ao exterior ficam ligeiramente abaixo dos 6 mil milhões de euros. Espanha e Alemanha, os dois principais mercados do setor, registam quebras de 9,8% e 14,3%, respetivamente
As exportações portuguesas de componentes para automóveis atingiram os 5.994 milhões de euros entre janeiro e julho de 2026, o que representa uma redução de 7,8% relativamente ao mesmo período do ano anterior. Este resultado espelha o comportamento da indústria automóvel europeia e quanto afeta o desempenho das empresas de componentes nacionais.
De acordo com os cálculos da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel – no mês de julho, as exportações de componentes automóveis registaram uma descida homóloga de 6,6%, situando-se em cerca de 950 milhões de euros. Uma evolução que vem contrastar com o comportamento do total das exportações nacionais de bens, que aumentaram 6,5% no mesmo mês. Refira-se, no entanto, que os componentes automóveis representam atualmente 12,3% das exportações nacionais de bens transacionáveis.
Estes resultados continuam a ser condicionados pelo desempenho do mercado europeu, destino que concentra 87,4% das exportações portuguesas de componentes automóveis. Entre janeiro e julho, as vendas para a Europa diminuíram 8,5% relativamente ao período homólogo. Em sentido contrário, as exportações para África e Médio Oriente aumentaram 17,1%, enquanto as destinadas à Ásia e Oceânia cresceram 8,0%. As vendas para o continente americano registaram uma redução de 21,0%.
A análise por países mostra que Espanha mantém-se como o principal destino, concentrando 28,6% das exportações do setor, seguida da Alemanha, com 19,9%, e de França, com 9,5%. As vendas para Espanha diminuíram, no entanto, 9,8% e para a Alemanha 14,3%. Já as exportações para França aumentaram 1,8%. Entre os restantes mercados, destacam-se os crescimentos registados em Itália e Polónia, ambos de 13,0%, e em Marrocos, de 12,6%. Nos Estados Unidos da América, as exportações diminuíram 26,7%.
“Estes números vêm confirmar a pressão sentida pela indústria portuguesa de componentes nos seus principais mercados europeus, o que vem, uma vez mais, reforçar a necessidade de aumentar a competitividade para se posicionarem nas cadeias de produção. Portugal e a Europa têm de criar condições para que as empresas continuem a investir, inovar e produzir e, para isso é necessário tomar algumas medidas como já temos vindo a alertar e que estão relacionados com a necessidades de termos energia a custos competitivos, financiamento adequado, estabilidade regulatória e talento qualificado. Só assim, conseguiremos preservar a capacidade produtiva e reforçar a integração nas cadeias de valor internacionais”, afirma José Couto, Presidente da AFIA.
Para a AFIA, o atual contexto reforça a necessidade de colocar a competitividade industrial no centro das políticas nacionais e europeias, criando condições de enquadramento que permitam às empresas continuar a investir em inovação, tecnologia, qualificação e capacidade produtiva. A diversificação dos mercados e o reforço da presença dos fornecedores portugueses nas cadeias internacionais assumem igualmente uma importância acrescida.
De referir que os cálculos da AFIA têm como base as Estatísticas do Comércio Internacional de Bens divulgadas a 9 de setembro pelo INE (Instituto Nacional de Estatística).
Para mais informações consultar o:
in AFIA, 11-09-2026







