Alemanha: “Há sinais claros de que o motor da economia europeia volta a ganhar dinamismo”, dizem empresários
Ter um novo chanceler alemão com experiência no mundo dos negócios é “uma coisa boa”, destaca a indústria portuguesa
in Expresso, por Margarida Cardoso, 24-02-2025
A vitória dos conservadores da CDU nas eleições alemãs está a ser recebida com otimismo pelos empresários portugueses. “Há sinais claros de que o motor da economia europeia volta a ganhar dinamismo e competitividade e isso é fundamental para a Europa e para Portugal”, diz Luís Miguel Ribeiro, presidente do Conselho de Administração da AEP – Associação Empresarial de Portugal.
Ver Friedrich Merz posicionar-se como futuro chanceler da Alemanha parece animar os empresários portugueses. “Ele não chega aqui dentro da bolha da política. Trabalhou com empresas e conhece bem a economia real. Isso é uma coisa boa”, sublinha Mário Jorge Machado, presidente da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, na “expetativa de que este seja o momento da inversão de um ciclo negativo da economia alemã” e que isso “puxe por toda a Europa”.
“Temos tido a Alemanha a viver um mau momento e estamos numa conjuntura complexa, com a liderança dos EUA a mostrar que não vê a Europa como parceiro, mas sim como alguém que deve ser punido pelo sucesso que tem nas exportações. Importa agir e reagir e, por isso, é importante a Alemanha entrar numa fase positiva”, refere o dirigente associativo de uma fileira que tem neste país o seu terceiro maior mercado, atrás de Espanha e França, e viu as vendas para os clientes alemães caírem cerca de 8% no ano passado.
“A economia alemã não tem estado bem e isso afetou naturalmente o consumo e as nossas exportações. Esperamos que o resultado das eleições de domingo tragam alguma confiança aos consumidores e tenham um impacto positivo na procura”, comenta Frederico Falcão, presidente da Viniportugal, depois de um ano em que as exportações dos vinhos portugueses para o país caíram 2,75%, para os 47,3 milhões de euros, o que coloca este mercado em 7º lugar no ranking das exportações do sector (966 milhões em 2024).
Na indústria metalúrgica, o perfil “moderado e firme de Merz” é “um indicador positivo”. “Ele explicou bem ao que vem e o que quer e acreditamos que pode ajudar a fazer reformas necessárias para a saúde da economia alemã”, diz também Rafael Campos Pereira, vice-presidente da AIMMAP, a associação da fileira metalúrgica que em 2024 viu as vendas no mercado germânico aumentarem 8,5%, apesar das dificuldades do país, muito pela “tendência de nearshoring [deslocar compras para países geograficamente mais próximos]”, explica.
Para José Couto, presidente da AFIA – Associação de Fabricantes da Indústria Automóvel, “ainda é preciso esperar para ver como correm as negociações para fazer um governo de coligação no país e o que vai ser feito para defender o sector automóvel, onde há milhões de postos de trabalho em risco”.
No entanto, “o futuro chanceler já mostrou ter dúvidas relativamente à mudança acelerada da motorização” e se “ainda não se percebeu bem o que vai fazer para promover a reindustrialização nem qual será o novo modelo económico alemão”, “temos visto que assume uma posição menos agressiva no processo de transição do motor a combustão”, comenta.
“Sabemos que o ritmo da mudança será crucial para o sector não colapsar”, afirma o dirigente associativo atento à quebra de 0,4% nas exportações para o segundo cliente de Portugal no seu sector, logo atrás de Espanha, em 2024.
Das declarações de Friedrich Merz ao longo da campanha eleitoral, os empresários retiveram, por exemplo, que “questões como a redução da fiscalidade e da burocracia são temas centrais na sua agenda” e isso “é positivo”, nota Luís Miguel Ribeiro, da AEP.
“O investimento em segurança é outro ponto fulcral para a Europa deixar de estar na dependência de terceiros e reduzir as suas fragilidades e ele já deu conta de estar atento a este ponto”, nota o dirigente associativo sem preocupações especiais pelo facto de o resultado das eleições exigir um governo de coligação à CDU – União Democrata-Cristã.
“A Alemanha está habituada a governos de coligação. Isso não será um problema”, conclui, certo de que “as notícias positivas que chegarem da Alemanha serão positivas para a Europa e para as exportações portuguesas” e o currículo do futuro chanceler, “com experiência em empresas, na economia real, é mais um indicador de confiança”.






