Numa linha de produção de componentes automóvel, os equipamentos falam línguas diferentes. O autómato fala Modbus, o robô fala outra coisa, e no topo o ERP espera informação organizada que raramente chega a tempo. Entre um lado e o outro há meses de integração feita à medida, código que só uma pessoa domina e que falha assim que se reconfigura uma máquina. Para um fabricante sob pressão de margem, e com exigências de rastreabilidade cada vez maiores por parte dos construtores, esta distância custa dinheiro e custa tempo.
É neste espaço que a Coreflux trabalha. A nossa plataforma assenta num broker MQTT e numa linguagem própria, a Language of Things, que liga máquinas, sensores e robôs aos sistemas que precisam dos dados, sem os meses de código à medida. Dados em real-time são garantidos abaixo do milissegundo, e a informação fica onde a empresa a controla, no chão de fábrica ou na cloud, conforme a decisão de cada um. É tecnologia Portuguesa feita na Europa, algo que para muitos clientes deixou de ser um pormenor e passou a ser um requisito de soberania dos dados. E é a fundação sobre a qual assenta qualquer projeto de inteligência artificial industrial: sem dados acessíveis e fiáveis, não há IA que produza resultados.
Para Portugal, o momento é favorável. O setor de componentes é um dos maiores exportadores industriais do país e é reconhecido pela sua exigência técnica. A transição digital é a oportunidade de subir na cadeia de valor: deixar de competir só pelo custo e passar a entregar produção conectada, rastreável e preparada para os requisitos dos próximos anos. Ter infraestrutura tecnológica europeia, e portuguesa, disponível para as fábricas nacionais significa que dar este passo não obriga a depender de fornecedores de fora. É uma vantagem ao alcance do país.
Os desafios são reais e não vale a pena escondê-los. O setor atravessa uma fase difícil na Europa, com a eletrificação a mudar o que se produz, a concorrência a apertar e a procura instável. Do nosso lado, o maior desafio é de hábito: a integração à medida é o costume, e mostrar que existe uma forma mais simples de o fazer exige tempo e prova no terreno. Mas é precisamente essa a mudança que defendemos, sair do inferno da integração para algo que funcione sem dor de cabeça. E, cada vez mais, encontramos fabricantes prontos para ter essa conversa.
in Coreflux, por João Leirião, GTM Manager, 09-07-2026






