Novo Volkswagen elétrico da Autoeuropa já está a ‘agitar’ a indústria de fornecedores de componentes
in Expresso, por Vitor Andrade, 19-03-2025
Empresas industriais portuguesas já estão a ser sondadas pela sede da Volkswagen, na Alemanha. O Volkswagen ID.Every1, o mais barato da marca (20 mil euros), só sairá da fábrica no final de 2027
Ainda não passaram duas semanas sobre o anúncio do novo carro que irá ser produzido pela Autoeuropa (o Volkswagen ID.Every1), em Palmela, e já há empresas produtoras de componentes para automóveis em Portugal a serem contactadas.
Apesar de o processo de seleção de fornecedores para o novo modelo estar a ser conduzido a partir da sede da Volkswagen em Wolfsburg, na Alemanha, o Expresso sabe que já foram sondadas empresas instaladas tanto no parque industrial que serve a Autoeuropa como em algumas zonas do Norte do país.
“Sabemos que alguns dos nossos associados já foram contactados pela Volkswagen, mas também é certo que não se pode adiantar muito mais por agora, pois esta é aquela fase do processo em que tudo decorre de forma sigilosa”, adianta José Couto, presidente da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA).
O mesmo responsável admite também que “até pode haver mais empresas portuguesas que já estão a produzir para outros fornecedores, instalados noutros países, que, por sua vez, irão depois fornecer componentes para o novo modelo da Volkswagen”.
“2025 vai ser um ano de negociações com a Volkswagen”
Daniel Bernardino, que integra a coordenação das comissões de trabalhadores do Parque Industrial da Volkswagen Autoeuropa, em Palmela, confirma que a empresa em que trabalha também já foi contactada, mas tudo está numa fase muito inicial. No entanto, adianta, “este vai ser um ano de negociações entre a casa-mãe da Volkswagen e as empresas fornecedoras. No próximo ano já deverá haver muito mais certezas, até porque, se o carro vai começar a ser produzido em final de 2027, o processo tem de acelerar. Não há tempo a perder”.
A organização que integra representa cerca de nove mil trabalhadores de 19 empresas instaladas na zona industrial de Palmela. E admite que também ali possa ter havido mais empresas contactadas pela Volkswagen a propósito do novo modelo elétrico ID.Every1.
Este representante dos trabalhadores do parque industrial da Autoeuropa diz que já há ali várias firmas que se adaptaram à digitalização, sendo que, por estarmos a falar de um carro elétrico, “é muito natural que haja necessidade de reconversão de alguns profissionais. Para isso contamos com a academia de formação ali instalada [ATEC], que ao longo de todo este ano deverá estar particularmente ativa”.
E admite que a produção do ID.Every1 em Palmela “é uma excelente notícia” para todos quantos dependem da Autoeuropa, mas assegura que “a força de trabalho não deverá variar mais de 10%, pois temos aqui muitos profissionais que vão ser preparados para se adaptarem à nova realidade”. Dá o exemplo de uma empresa que produza canos de escape e que não será precisa para a produção de um carro elétrico.
Até ao final deste ano a Volkswagen deverá selecionar as empresas fornecedoras do novo modelo ID.Every1
Para já, segundo ele, não está previsto o encerramento de nenhuma fábrica. Recentemente, a Vanpro, da área dos estofos, deixou 475 pessoas no desemprego, “mas estamos a fazer um esforço para tentar recolocá-las noutras empresas aqui do parque”.
O presidente da AFIA, José Couto, não tem dúvidas de que a produção de um carro elétrico em Palmela é uma “excelente notícia”, pois é sinal de que a indústria automóvel em Portugal “está a acompanhar o ritmo dos tempos”. No entanto, confessa, “como associação do sector, não fomos tidos nem achados neste processo, pelo menos até agora. Só esperamos que o Governo tenha negociado como contrapartidas [em troca dos apoios oficiais] que a Autoeuropa recorra tanto quanto possível a firmas nacionais ou implantadas em Portugal” para o fornecimento de componentes para o novo veículo, acrescentando que a indústria portuguesa deste sector “está preparada para o desafio”. “Se já exportamos para toda a Europa, também gostaríamos de fornecer a Autoeuropa”, frisa.
Perante o cenário recente de encerramento de algumas fábricas do sector, em especial no Norte do país, de onde já resultou a perda de mais de mil empregos, José Couto diz que com o novo modelo da Autoeuropa regressou algum otimismo a esta área. “Já seria bom se não houvesse mais destruição de emprego”, admite, sublinhando que se a Volkswagen escolheu Portugal para a produção do seu novo modelo elétrico “é porque considera que, aqui, o ambiente em geral é favorável e competitivo. Caso contrário teria escolhido outro país”.
O Expresso tentou obter um comentário da Autoeuropa sobre este assunto, mas a empresa remeteu para o último comunicado de imprensa, onde é referido que “esta decisão revela a confiança que o grupo Volkswagen deposita na fábrica de Palmela”.





