Maior construtor automóvel britânico prolongou a paragem de produção pelo menos até dia 24. Impacto chega às fabricantes de componentes em Portugal, como a Forvia, em Palmela, obrigando uma centena de trabalhadores a gozar “down days”.
in Jornal de Negócios, por Diana do Mar, 19-09-2025
Aproximadamente 100 trabalhadores da Forvia, em Palmela, afetos à produção de componentes para a Jaguar Land Rover estão a gozar “down days” há três semanas, depois de a maior fabricante automóvel do Reino Unido ter parado a produção devido a um ataque informático que veio a público no início de setembro.
“Neste momento, na Forvia Palmela temos cerca de 100 trabalhadores há três semanas sem trabalhar, que estão a gozar ‘down days’ [dias de paragem em que os trabalhadores recebem os vencimentos por inteiro], porque devido ao ciberataque, que levou à paragem de produção, da Jaguar Land Rover não temos encomendas”, revelou Daniel Bernardino, da Comissão de Trabalhadores (CT) da Faurecia, no Parque Industrial Autoeuropa, ao Negócios.
A Forvia, que resultou da aliança, em 2022, da Faurecia com a Hella, que criou então o sétimo maior fornecedor da indústria automóvel do mundo, conta com seis fábricas em Portugal que se dedicam à produção de diferentes componentes para diferentes marcas. Só na unidade de Palmela, explica o responsável, encontram-se ao serviço cerca de 500 trabalhadores, dos quais aproximadamente 130 afetos à produção de peças para forrar os apoios para os braços da porta da Jaguar Land Rover.
Só que os “down days” esgotam-se, pairando a incógnita do que sucede quando tal acontecer, até porque, ainda esta semana a Jaguar Land Rover anunciou o prolongamento da paragem de produção das suas fábricas até pelo menos 24 de setembro. “A CT e a direção da empresa estão a tentar encontrar soluções para não se chegar a uma situação complexa como um eventual “layoff'”, adiantou Daniel Bernardino, indicando que, por força do atual contexto, foram entretanto dispensados 30 trabalhadores temporários.
A Jaguar Land Rover, detida pelo grupo indiano Tata, decidiu prolongar a paragem de produção enquanto decorre a investigação ao ataque informático: “Tomámos esta decisão enquanto a nossa investigação forense ao incidente cibernético continua e enquanto consideramos as diferentes etapas do reinício controlado das nossas operações globais, o que levará tempo”, lê-se no aviso publicado no “site” da fabricante automóvel.
Segundo o The Guardian, a paralisação levou já a Jaguar Land Rover a falhar a produção de 1.000 carros por dia, perdendo 72 milhões de libras (82,8 milhões de euros) diários em vendas.
Segundo o mesmo jornal, a autoria do ciberataque foi reivindicada por um grupo de “hackers” ligado a outros ataques ocorridos este ano como o que visou a retalhista Marks & Spencer.





