Num momento em que a inteligência artificial se afirma como um dos pilares da transformação digital, a Bosch Portugal promoveu, em Braga, a segunda tech talk de um ciclo dedicado a explorar os múltiplos impactos desta tecnologia no presente e no futuro do trabalho, dos negócios e do nosso quotidiano. Com o tema “Os Potenciais da Inteligência Artificial na Mobilidade”, esta sessão inserida no evento Driving the Future destacou o papel central que a IA pode ter na inovação e competitividade das empresas, especialmente num setor em rápida evolução como o da mobilidade.
Com moderação de Nathalia Pessoa, Diretora de Comunicação da Bosch Portugal, a conversa contou com as perspetivas dos especialistas Rui Cardoso, Diretor de Engenharia da Bosch em Portugal, João Esteves, Chief Technical Officer na Critical TechWorks, e André Cardote, Vice-Presidente de Enterprise & Camera Products na Nexar, que começaram por ser desafiados a olhar para o caminho percorrido até aqui e a analisar o que funcionou e o que falhou para que as previsões de ter carros autónomos em 2020 não se tenham concretizado.
Entre os especialistas foi unânime a ideia que de vivemos um momento de transição profunda na forma como nos deslocamos, com a mobilidade a deixar de ser apenas uma questão de infraestrutura e com a inteligência artificial a assumir um papel preponderante no futuro da condução autónoma. “Chegámos a um momento em que a IA vai ajudar a quebrar barreiras e com o seu contributo vamos conseguir avançar na condução autónoma nos próximos cinco anos como não avançámos até aqui”, é esta a convicção de André Cardote da Nexar.
O papel do software defined vehicle (SDV) foi um dos principais tópicos em destaque nesta conversa. Com a condução autónoma a depender de uma enorme quantidade de dados, processamento em tempo real, sensores avançados e algoritmos complexos de tomada de decisão, o SDV fornece a base ideal para tudo isso. “A transição para a condução autónoma exige uma transformação profunda na forma como os veículos são concebidos, desenvolvidos e atualizados — e é precisamente aqui que o conceito de Software Defined Vehicle se torna fundamental”, foi a ideia deixada por Rui Cardoso, da Bosch, reforçando que um dos principais desafios da adoção do SDV está relacionado com a sua integração.
Para os especialistas, o facto dos SDV estarem preparados para receber atualizações de software à distância (over-the-air), o que garante que o veículo se mantém atualizado ao longo do tempo, incorporando melhorias tecnológicas e de segurança de forma contínua, é uma capacidade particularmente importante para a condução autónoma, onde os requisitos legais, os contextos urbanos e os avanços tecnológicos estão em constante evolução.
Numa conversa durante a qual muitas ideias foram partilhadas sobre os avanços mais recentes, os dilemas que ainda enfrentamos, e as implicações profundas que a IA tem no futuro da mobilidade e da condução autónoma, não poderia faltar trazer para discussão um tópico tão pertinente e ele mesmo desafiante como é o da segurança. Sendo um veículo autónomo uma máquina conectada — e, por isso, exposta -, como proteger veículos definidos por software de ataques remotos que podem alterar comportamento em tempo real? A esta pergunta, João Esteves da Critical TechWorks respondeu com uma mensagem otimista e de confiança: “os veículos não autónomos também estão conectados, essa não é uma particular dos veículos autónomos. Os mecanismos de segurança na sua essência não só por isso muito diferentes daqueles que existem num computador normal (…), o problema da segurança é um problema das redes, mas atualmente as pessoas já estão mais alertas para essa questão da utilização das redes com segurança”.
Durante a conversa, vários foram os exemplos partilhados pelo painel de casos concretos de como os sistemas de segurança têm vindo a evoluir, com indicadores bastantes positivos, ficando a ideia final de que a estratégia deve passar pela adoção e evolução gradual dos sistemas de condução autónoma, de forma que as pessoas percebam que podem confiar nestes sistemas. “A nossa tolerância ao erro é muito baixa, uma libertação desmesurada deste tipo de tecnologias pode impactar a confiança das pessoas e deitar tudo a perder, é recomendado que seja feito gradualmente para que as pessoas possam confiar nesses sistemas”, reforçou Rui Cardoso.
Este é apenas o resumo de uma conversa que vale a pena ouvir na íntegra no Bosch Tube, que contou com o contributo e a partilha de experiências e visões de quem todos os dias trabalha no futuro da condução autónoma.
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