A Alemanha vai investir 3 mil milhões de euros em incentivos para elétricos até 2029 e negociar mais flexibilidade nas metas da UE.
in Razão Automóvel, por Mariana Teles, 09-10-2025
O Governo alemão aprovou incentivos de compra para automóveis elétricos no valor de 3 mil milhões de euros até 2029, direcionados a famílias de baixos e médios rendimentos. A medida faz parte de um esforço do chanceler Friedrich Merz e da sua coligação para apoiar os fabricantes automóveis nacionais e reforçar a competitividade do setor.
“Nós concordamos que queremos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance na coligação para garantir um futuro promissor à indústria automóvel alemã”, disse Merz. O chanceler vai reunir-se hoje com os principais executivos do setor e representantes sindicais para discutir o futuro da indústria, altamente afetada pela concorrência internacional e pelas incertezas sobre tarifas e regulamentações.
Ao contrário do que era esperado, a coligação não vai pressionar de imediato a União Europeia (UE) para suavizar as metas de 2035 relativamente à proibição de veículos a combustão, avançou a Bloomberg. Merz quer primeiro compreender as necessidades dos construtores e aguardar a reavaliação das metas por parte da Comissão Europeia (CE), prevista para o final do ano, antes de definir uma posição oficial.
“Queremos atuar dentro da UE para garantir que as decisões tomadas na Europa são corretas e necessárias para a indústria automóvel alemã”, acrescentou.
Alemanha quer mais flexibilidade
A coligação governamental está a pressionar por maior flexibilidade nas metas de emissões da UE, com o objetivo de proteger a indústria automóvel nacional. Em destaque estão tecnologias como híbridos plug-in e veículos com extensores de autonomia, cuja venda se poderia prolongar para além de 2035, contrariando parcialmente a proibição de novos automóveis a combustão prevista pela UE.
O vice-chanceler e líder do SPD (partido social democrata alemão), Lars Klingbeil, sublinhou que o partido pretende garantir a segurança dos empregos atuais na indústria, ao mesmo tempo que prepara a criação de oportunidades relacionadas com a mobilidade sustentável. Apesar do apoio do chanceler Friedrich Merz, alguns membros do SPD mostraram alguma resistência à flexibilização das regras, incluindo o ministro do Ambiente, Carsten Schneider.
Após a cimeira automóvel marcada para 9 de outubro, o governo alemão espera negociar com a UE medidas que ofereçam uma maior margem de manobra aos fabricantes, como sistemas de média de emissões ao longo de vários anos.
A CE deverá apresentar ainda este ano um pacote de apoio, que poderá incluir exceções para combustíveis sintéticos — combustíveis produzidos com dióxido de carbono (CO?) capturado e energia renovável —, híbridos plug-in e veículos com extensores de autonomia.






