Componentes Apesar de a Autoeuropa, e Stellantis, escaparem aos cortes programados, os efeitos no setor serão inescapáveis, reconhece AFIA. Reforço da inovação é o caminho, defende.
O plano da Volkswagen para cortar custos irá ter impactos inevitáveis no setor nacional decomponentes automóveis, admite o presidente da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA) ao JE, antecipando já uma quebra que pode chegar a 6% nas exportações –e, por arrasto, na produção e no emprego. As perdas do lado do emprego poderão chegar à ordem dos 750 a 1000 postos em três anos, um cenário que, apesar de negativo, mostra alguma resistência do setor nacional face à intempérie europeia. Sendo uma situação inescapável e que afetará a fileira nacional até ao próximo ano, a AFIA aponta a um reforço da intensidade tecnológica para que Portugal não perca a competitividade externa.
Subsistem ainda questões quanto aos detalhes do plano de reestruturação da Volkswagen, mas, para já, há já alguns aspetos conhecidos: por um lado, a Autoeuropa escapa às previstas reduções de produção e emprego; e, por outro, nem assim o ramo português irá escapar à tempestade.
Ao JE, José Couto, presidente da AFIA, admite que o ano mostrava já uma quebra nas exportações em relação a igual período de 2025 e a tendência será difícil de inverter. Olhando para os primeiros sinais, a queda “pode andar na casa dos 6%”.
“Isto não significa só exportações, significa produção. Se exportamos menos, vai diminuir a produção e vai diminuir a oferta”, acrescenta.
Por arrasto, o emprego também sofrerá, embora menos do que se chegou a temer aquando dos primeiros sinais de reestruturação no gigante automóvel germânico. José Couto admite que poderá haver impactos entre 750 a mil postos em três anos, com este ano a ser o mais severo.
Ainda assim, “quer na Volkswagen, quer na Stellantis, os números não são comparativamente tão preocupantes como na Europa”, ilustra. E, ainda que a queda nos principais clientes da produção de componentes nacionais – a saber, Espanha, Alemanha e França – tenha “repercussões no mercado nacional”, há uma crença que “a reação da Europa a este cenário possa ajudar a que o impacto não seja tão severo nos próximos anos”
“Quer na Volkswagen, quer na Stellantis, os números não são comparativamente tão preocupantes como na Europa”, aponta José Couto, que admite quedas que podem chegar a 6%. De facto, os dados não são os mais animadores. Abril, mês dos números mais recentes, viu uma queda homóloga contida nas exportações de componentes, com menos 0,4%, mas os primeiros quatro meses do ano registaram uma quebra de 6,4%. No detalhe, os EUA são o principal foco de fraqueza, recuando 22% no acumulado até abril, segundo os números da AFIA, mas a Alemanha também viu uma queda de 4%.
Por outro lado, a produção automóvel em Portugal é esmagadoramente destinada à exportação, com a ACAP – Associação Automóvel de Portugal a reportar que 98% dos quase 145 mil veículos produzidos nos primeiros cinco meses deste ano a serem vendidos para o exterior. A Autoeuropa representou 70,6% desta produção e, apesar de o acumulado até maio mostrar uma subida homóloga de 4,8%, olhando só para o quinto mês do ano vê-se uma queda de 7,6%
Perante isto, e reconhecendo que os efeitos negativos serão difíceis de evitar, a AFIA pretende ver um reforço da competitividade, sob pena de o país perder os frutos do esforço dos últimos anos para tornar a fileira nacional dos componentes automóveis relevante nas cadeias de valor globais.
“Estes desafios exigirão alterações substanciais em termos de estrutura das empresas, comum a intensidade tecnológica maior, porque temos de nos manter atentos aos níveis de produtividade. Isto é incontornável”, projetou, falando numa “vontade de que este setor continue a ser importante para a economia nacional, cause arrasto e seja de charneira”.
O Jornal Económico, por João Barros, 28-08-2026






