A Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA) sinaliza, porém, que as tarifas terão “um efeito pernicioso sobre o produto final”, mas que há que contar com a capacidade da indústria para as absorver.
in Jornal de Negócios, por Diana do Mar, 29-07-2025
O tecto de 15% nas tarifas, previsto no acordo alcançado entre Bruxelas e Washington, também se aplica a componentes automóveis. Dúvida que havia na segunda-feira foi desfeita nesta terça-feira por Bruxelas e agrada à Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA) que deposita expectativas numa “recuperação da normalidade” que pode até levar a um aumento, ainda que ligeiro, das vendas para os EUA, mercado que representa sensivelmente 5% das exportações nacionais de componentes.
Em comunicado, a Comissão Europeia esclareceu que à luz do acordo, o tecto de 15% também se aplica a automóveis e peças de automóveis, atualmente sujeitos a uma tarifa de até 25%, com uma tarifa de nação mais favorecida (MFN, na sigla em inglês) adicional de 2,5%, destacando que tal proporciona assim “um alívio tarifário imediato”.
“Fazendo jus ao informado pela Comissão Europeia há uma efetiva redução das taxas que tínhamos que enfrentar (25%+2,5%), desde que se iniciou este confronto, portanto, passamos a ter 15% para todos os produtos ligados ao automóvel, o que sendo diferente do que existia, inicialmente, é claramente melhor do que estava na mesa no início das negociações”, diz o presidente da AFIA, José Couto, numa resposta escrita ao Negócios.
Além disso – reforça – “teremos que juntar um ambiente de estabilidade no relacionamento comercial, o que tem um valor intangível significativo, nomeadamente nos planos de investimentos, muito necessários, na cadeia de valor da indústria automóvel, para que a Europa possa recuperar a competitividade e a afirmação de uma liderança tecnológica”.
Em face do atual cenário, José Couto mostra-se otimista quanto ao desempenho das vendas para os Estados Unidos, que representam sensivelmente 5% das exportações totais de componentes, apontando que “poderão estabilizar ou na melhor hipótese ter um ligeiro aumento”.
“Temos que ter em atenção às vendas da indústria de componentes a clientes europeus que se dirigiam ao mercado dos EUA”, diz, sublinhando que “as componentes nacionais que se juntavam a outras componentes produzidas na Europa poderão ter um efeito mais positivo”.
As exportações nacionais para o mercado norte americano poderão estabilizar ou na melhor hipótese ter um ligeiro aumento.
José Couto, presidente da AFIA.
“A nossa expectativa é a de que possa haver uma paragem da degradação das relações comerciais e que possa haver uma recuperação da normalidade”, sustenta o líder da AFIA, reconhecendo, porém, que “a tarifa de 15% terá um efeito pernicioso sobre o produto final, mas haverá que contar com a capacidade da Indústria para absorver este valor”.
Segundo dados da AFIA, a indústria de componentes para automóveis em Portugal agrega cerca de 360 empresas e emprega diretamente 64.000 trabalhadores. Em 2024 faturou 14 mil milhões de euros, com uma quota de exportação superior a 85%.
85 Quota de exportação
Em 2024, a indústria de componentes para automóveis em Portugal faturou14 mil milhões de euros, com uma quota de exportação superior a 85%.






