A razão prende-se com o facto de os fornecedores automóveis europeus terem praticamente parado de investir, nos últimos cinco anos, enquanto os seus homólogos chineses aumentaram investimento em 57%
Os elevados custos de produção e as cadeias de abastecimento “fragmentadas” da Europa estão a abrandar a expansão industrial e a aumentar a distância para os concorrentes globais.
O alerta é da Associação Europeia de Fornecedores Automóveis (CLEPA, na sua sigla em inglês), que esta terça-feira emitiu um comunicado em que revela que “a ambição da Europa de liderar a transição global para os veículos elétricos enfrenta uma seca estrutural de investimento”.
Segundo a mesma fonte, novos dados revelam que, entre 2021 e 2026, o investimento dos fornecedores automóveis da União Europeia manteve-se “completamente estagnado”. Por oposição e ainda de acordo com a CLEPA, “o investimento chinês no sector aumentou 57%, criando um cenário global assimétrico que ameaça a espinha dorsal industrial da Europa”.
Produção europeia de automóveis revista em baixa
No mesmo documento a associação que representa os fornecedores de componentes automóveis deixa ainda claro que “as previsões atuais mostram que a produção europeia de veículos para 2032 foi revista em baixa, de mais de 10,3 milhões de veículos para cerca de 8,2 milhões”, o que, segundo aquela associação, irá resultar num num défice acumulado de aproximadamente 10 milhões de veículos até 2032, em comparação com as projeções tornadas públicas há cerca de um ano.
“Embora os fornecedores europeus tenham investido capital de forma consistente na transição [para a mobilidade elétrica], estão a encontrar um obstáculo económico: custos estruturais de produção sem precedentes, cadeias de abastecimento fragmentadas e entraves regulamentares na Europa, que estão a sufocar a capacidade de escalar a inovação de forma competitiva”, nota ainda o relatório da CLEPA.
Isto deve-se também, segundo a mesma fonte, a um “ambiente regulamentar e económico que penaliza atualmente a expansão local, enquanto os concorrentes globais aceleram com um apoio estatal maciço”.
in Expresso, por Vítor Andrade | Coordenador de Economia, 26-05-2026





