“A internacionalização não podia ser apenas uma estratégia comercial”

A abertura de uma unidade na Polónia marcou a estratégia de internacionalização da Microplásticos. A empresa quer reforçar a presença internacional sem perder a cultura e a excelência operacional.

Distinguida pelo Santander e pela COTEC Portugal pelo seu percurso de internacionalização, a Microplásticos explica como a expansão internacional contribuiu para transformar a organização, o papel da inovação na diferenciação da empresa e os próximos objetivos de crescimento.

Qual foi a decisão mais determinante para transformar a vossa empresa num negócio internacional?

A decisão mais determinante foi percebermos que a internacionalização não podia ser apenas uma estratégia comercial, mas uma estratégia de transformação da empresa. A abertura da unidade na Polónia foi um passo decisivo, não apenas por nos aproximar dos clientes, mas porque nos obrigou a desenvolver novas competências organizacionais: transferir conhecimento entre países, criar uma cultura comum, replicar processos e garantir o mesmo nível de exigência em diferentes localizações. Foi essa transformação que nos preparou para pensar a internacionalização como um processo contínuo de crescimento.

Que papel teve a inovação na conquista de novos mercados e na diferenciação face aos concorrentes internacionais?

Na Microplásticos, a inovação sempre foi encarada como uma competência organizacional. Traduz-se na forma como desenvolvemos processos, industrializamos soluções e respondemos a desafios técnicos cada vez mais exigentes. Cada novo desafio levou-nos a desenvolver novas competências e a evoluir para processos cada vez mais automatizados e robotizados, integrando operações e acrescentando valor aos projetos dos nossos clientes. Foi essa capacidade de inovar nos processos e de transformar desafios técnicos em soluções industriais diferenciadoras que nos permitiu competir internacionalmente não pelo preço, mas pela engenharia, pela excelência operacional e pela confiança que conquistámos junto dos nossos clientes.

Que mercado internacional mais vos surpreendeu e porquê?

Mais do que um mercado específico, foi o próprio setor em que hoje operamos que mais nos surpreendeu pela sua exigência. Trabalhar com alguns dos maiores grupos mundiais obrigou-nos a elevar continuamente os nossos padrões de qualidade, organização e capacidade de resposta. Essa exigência tornou-se um enorme motor de aprendizagem, levando-nos a desenvolver novas competências e contribuindo decisivamente para a evolução da empresa.

Depois deste reconhecimento, qual é o próximo grande objetivo da vossa estratégia de internacionalização?

Este reconhecimento reforça a convicção de que estamos no caminho certo, mas também aumenta a responsabilidade de continuar a evoluir. O próximo grande objetivo passa por preparar uma nova etapa da nossa internacionalização, alargando a presença geográfica da empresa para acompanhar os nossos clientes e responder a projetos de maior dimensão. Mais do que abrir uma nova unidade, queremos garantir que somos capazes de replicar, em qualquer parte do mundo, a cultura, as competências e o nível de excelência que desenvolvemos ao longo deste percurso.

Que conselho deixariam a outras empresas nacionais que queiram internacionalizar-se?

Não existe um modelo único de internacionalização. Cada empresa deve encontrar o caminho que melhor responde ao seu setor, aos seus clientes e às suas competências. O mais importante é perceber que internacionalizar não significa apenas entrar num novo mercado. Significa preparar a organização para aprender, adaptar-se e crescer. Ao mesmo tempo, é fundamental procurar aprender com quem já percorreu esse caminho. Falar com empresas que já operam nessas geografias permite confrontar o plano teórico com a realidade do terreno, antecipar desafios e tomar decisões mais informadas. Se a empresa regressar da experiência internacional exatamente igual à que era antes, provavelmente limitou-se a mudar de geografia. A verdadeira internacionalização é aquela que transforma a organização.

 

in ECO, artigo com o apoio de COTEC Portugal, Banco Santander | Prémio Inovação na Internacionalização, 30-07-2026

 

 

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