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Fatores de inovação para a indústria automóvel Imprimir E-mail

JOÃO GOMES | Diretor de Operações do CENTI – Centro de Nanotecnologia e Materiais Inteligentes

in Auto Profissional, 15-03-2018

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Os grandes desafios de mobilidade para 2030-2050 ditam já as linhas de inovação que definem a tendência tecnológica da indústria automóvel. São centrados na expansão de powertrains híbridos e elétricos, em plataformas de mobilidade partilhada integradas para cidades inteligentes, no advento da condução autónoma e na sustentabilidade energética do veículo.

A disrupção tecnológica exigida pelos desafios de inovação é o foco da atividade de I&D do CENTI – Centro de Nanotecnologia e Materiais Inteligentes. Os nossos projetos centram-se no desenvolvimento de novos materiais avançados e inteligentes para o interior automotivo e novos materiais compósitos para o fabrico de peças.

O CENTI nasce em 2006 como uma parceria entre o CITEVE, CTIC, Universidade do Minho, Universidade do Porto, Universidade de Aveiro e CEIIA, como um instituto de I&DT privado sem fins lucrativos, equipado com a mais avançada tecnologia e desenvolvendo atividades de Investigação, Desenvolvimento Tecnológico, Inovação e Engenharia nos domínios dos materiais e sistemas inteligentes e funcionais para a indústria.

Os diversos projetos desenvolvidos pelo CENTI para o setor automóvel assentam em parcerias com os principais players da área dos componentes e no desenvolvimento de novas tecnologias e materiais para o habitáculo do veículo, privilegiando a utilização de tecnologias ecológicas e sustentáveis, e privilegiando a obtenção de produtos inovadores.

A visão do CENTI para o interior automotivo explora a integração dos próprios materiais de interatividade com o utilizador, criando um novo conceito de sistema HMI (Human Machine Interface), eliminando botões e designs de cluster de plástico ao substituí-los por superfícies interativas com eletrónica invisível, e incorporando também a capacidade dos materiais se autorregularem termicamente e autolimparem.

Projetos e parcerias de I&D

Na prática, a visão do CENTI define um interior automotivo que é uma extensão da zona de conforto do utilizador. Personalizável, e onde as próprias superfícies serão “vivas” e adaptáveis. As grandes tendências para o interior automóvel de condução autónoma exigirão a substituição do cluster de instrumentos por superfícies de conforto e design não intrusivo em modo autónomo - mas adaptáveis e funcionais quando em modo manual. Por outro lado, os veículos para a mobilidade partilhada exigirão um interior interativo - que evite o toque nos materiais - e a integração de materiais que garantam a higienização e limpeza contínua do interior.

A materialização desta visão pode ser encontrada, por exemplo, em projetos como o iTechInovCar, que desenvolvemos em parceria com a Simoldes Plásticos e o CITEVE. Trata-se de uma nova tecnologia patenteada de integração de eletrónica e iluminação invisível em peças de plástico para o interior automóvel, que permite a integração de novos painéis de instrumentos com funções ativadas por gestos, ou iluminados sem o recurso a ecrãs encastrados; ou mesmo desenvolver um Pilar A ou B que é “transparente”, ou seja, é um ecrã integrado na peça que transmite a imagem do ângulo morto criado pelo pilar.

Refiro ainda os projetos PT21, onde - em parceria com a TMG Automotive – investimos no desenvolvimento de sistemas de atuação ativados por gestos do condutor/passageiro, integrados numa superfície de pele artificial de TPO, que criam um efeito de eletrónica e ativação invisível responsiva a gestos específicos. Adicionalmente, foi desenvolvida uma tecnologia capaz de iluminar os sistemas interativos através da integração de dispositivos de luz finos e flexíveis no próprio material (a mesma lógica também se aplica a sistemas de aquecimento em diversas superfícies).

Estes desenvolvimentos levaram a que, em 2015, a BMW convidasse o CENTI a apresentar a sua visão e tecnologias às suas equipas de Design e Engenharia, num evento do BWM Welt, promovendo as empresas nacionais como players incontornáveis de inovação dos componentes automotivos. Importa também referir outras parcerias estabelecidas pelo CENTI, para além das referidas, que têm por base inovações tecnológicas conjuntas como acontece no caso da SEDACOR, Borsgtena Portugal, Critical Materials, CEIIA, INEGI, Bosch Car Multimédia, INL, CTAG e Centro Richerche Fiat.

 

Biografia
João Gomes é Diretor de Operações do CENTI. Licenciou-se em Física pela Universidade do Minho e tem o mestrado em Processamento e Caraterização de Materiais da mesma universidade. Foi investigador do grupo de Materiais Eletroativos na Universidade do Minho entre 2005 e 2007, e ingressou no CENTI como investigador nas áreas de materiais inteligentes, sendo posteriormente coordenador de I&DT nas áreas de Materiais e Sistemas Inteligentes do CENTI.