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Industriais dos curtumes de Alcanena querem garantir autenticidade da pele (com vídeo) Imprimir E-mail

Os industriais de curtumes estão preocupados com a “invasão” do mercado por produtos fabricados com materiais que imitam a pele, fazendo-se passar por pele verdadeira.

in O Ribatejo, 08-03-2018

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Se para o calçado já existe rotulagem que evita enganos para o consumidor, no caso de outros produtos, como mobiliário ou marroquinaria, a distinção entre “gato e lebre” nem sempre é fácil e há muitos tecidos sintéticos no mercado que se fazem passar bem por pele verdadeira.

Para regular melhor esta situação, os industriais, através da sua associação, a APIC, estão a levar o assunto às várias entidades que tutelam o setor. Na semana passada, aproveitando a realização de uma mostra de tendências de design em pele para 2019, em que estiveram representantes do IAPMEI, da AICEP e também da Direção Geral das Atividades Económicas, os representantes da APIC, pela voz do empresário da Couro Azul, Nuno Carvalho, fizeram sentir esta preocupação a estes dirigentes da administração pública, explicando que o objetivo é que Portugal possa caminhar para uma regulamentação mais clara em matéria de etiquetagem de produtos que utilizem pele verdadeira, alargando a obrigatoriedade que já existe para o calçado a outros setores de atividades que usam pele. Esta preocupação vai ser levada aos deputados e eurodeputados portugueses para criar dinâmicas nacionais que possam extravasar fronteiras e ter dimensão europeia. Por outro lado, Nuno Carvalho explicou a O Ribatejo que a APIC está a trabalhar com as suas congéneres europeias, e todas juntas através da confederação do setor, a Cotance, para criar regulamentação internacional que torne clara a distinção entre pele verdadeira e pele sintética. Há também uma nova preocupação em cima da mesa, o mercado dos vegans e novos consumidores urbanos, em crescimento, que rejeitam peles oriundas de animais e que estão substituir por tecidos sintéticos. Conforme salienta Nuno Carvalho, a pele verdadeira é ainda um produto ambientalmente mais sustentável pois deriva de um subproduto da indústria da criação de gado e tem tido cada vez mais preocupações de sustentabilidade ambiental no seu processo produtivo.

Nuno Carvalho, da APIC, frisou ainda que o setor do calçado português será tanto mais forte quanto forte for o setor de curtumes que existe a montante da sua produção e com grande concentração nacional em Alcanena. “O nosso [dos curtumes] ponto de contato direto devem ser as principais marcas internacionais, são essas que temos de convencer para que a nossa pele seja a escolhida no fabrico dos seus artigos nas fábricas portuguesas”, afirmou o empresário do grupo Couro Azul. É precisamente com esse objetivo que foi lançado o novo catálogo de propostas de design para a coleção de Primavera-Verão. Este catálogo foi desenvolvido por uma consultora italiana, especialista em tendências de moda internacionais, em conjunto com uma consultora de design portuguesa. O projeto em que se integra a produção deste catálogo é mais vasto e denomina-se Leather in Design. Além desta iniciativa e do trabalho que está a ser desenvolvido desde novembro passado em conjunto com as indústrias de curtumes, a APIC vai desenvolver duas ações de promoção deste catálogo e das propostas das empresas junto do setor do calçado nacional, nomeadamente, em São João da Madeira, no Centro Tecnológico do Calçado, já esta quinta-feira, e ainda em Felgueiras. O projeto vai continuar em próximos anos com a aproximação das propostas das empresas nacionais às principais marcas que ditam as tendências no mercado da moda. Essa informação é depois transmitida aos industriais que preparam os seus “protótipos” e os levam a mercado nas feiras internacionais, deslocações que são promovidas pela APIC de acordo com os objetivos dos seus associados.

O evento de apresentação do catálogo decorreu no Centro Tecnológico das Indústrias do Couro (CTIC) em Alcanena, onde esteve também uma representação da Câmara e da Assembleia Municipal. A presidente do município, Fernanda Asseiceira, afirmou que a autarquia continua “de forma determinada, a apoiar a valorização económica do concelho em sintonia com o equilíbrio social e ambiental”, um esforço que diz encontrar também na indústria da pele. “Hoje em dia, a competitividade económica não se consegue se não houver também competitividade ambiental e estamos todos a trabalhar para que o setor seja bem visto em todos os seus aspetos”, afirmou a autarca.

 

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