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Fibras naturais reforçam TMG Automotive Imprimir E-mail

A TMG Automotive está a aplicar fibras naturais em revestimentos de painéis automóveis, graças ao projeto de I&D FibreInSurface realizado em parceria com a plataforma Fibrenamics, que resultou em protótipos que podem, no futuro próximo, chegar à fase de industrialização.

in Portugal Têxtil, 05-12-2017

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O projeto, batizado “FibreInSurface – Inclusão de fibras em materiais plastificados para utilização visíveis em superfícies interior automóvel”, começou em 2015 e teve como objetivo responder à tendência cada vez mais evidente por parte dos construtores de veículos automóveis de reduzir o peso das viaturas, e consequentemente o consumo de combustível, através da utilização de materiais compósitos, reforçados com fibras naturais – uma ideia já veiculada por Isabel Furtado, administradora da TMG Automotive, durante a visita às novas instalações da empresa em Vila Nova de Famalicão, que deverão começar a laborar em janeiro de 2018.

«As fibras naturais são uma forte tendência na indústria automóvel pois permitem transmitir ao utilizador uma imagem de preocupação com a reutilização e reincorporação de materiais renováveis. Os modelos elétricos da BMW ousaram colocar as fibras não como componente estrutural mas como componente visível. Sendo esta Original Equipment Manufacturer (Fabricante Original do Equipamento) um dos principais clientes da TMG Automotive surgiu assim, naturalmente, a necessidade de explorar o potencial da utilização de fibras naturais em materiais poliméricos para superfícies visíveis e tácteis do interior automóvel que passem as normas usadas no interior automóvel», justifica Isabel Araújo, engenheira química e responsável técnica pelo projeto na TMG Automotive, citada pelo Compete, que cofinanciou o projeto que contou com um investimento elegível de 460 mil euros.

Protótipos concretizados

O FibreInSurface apresentou assim dois objetivos distintos: por um lado, o desenvolvimento de materiais compósitos, de matriz termoplástica, reforçados com fibras naturais, para o revestimento de painéis, que incidiu na incorporação desses materiais fibrosos de origem natural em processos atualmente existentes; e, por outro, no desenvolvimento de materiais compósitos, de matriz termoplástica, reforçados com resíduos de fibra de carbono, destinados a componentes estruturais de painéis.

Segundo Raul Fangueiro, coordenador da plataforma Fibrenamics da Universidade do Minho, que trabalhou em parceria com a TMG Automotive neste projeto, «estudamos a possibilidade de incorporar fibras naturais nos revestimentos interiores dos automóveis, respondendo à tendência do eco, do biodegradável, da aproximação à natureza, que é algo que está na ordem do dia nestes domínios».

Ao Portugal Têxtil, o professor e investigador, revela que «desenvolvemos um processo que permite colocar fibras naqueles revestimentos que são o mercado normal da TMG Automotive e em que as fibras naturais estão à superfície – portanto, são visíveis sob o ponto de vista estético».

Desta forma, indica Raul Fangueiro, «entra-se no interior do automóvel e vê-se uma série de revestimentos que têm as fibras naturais e dão a ideia do eco, de materiais biodegradáveis, de materiais mais amigos do ambiente», acrescenta.

«Tendo em conta os desafios que o projeto apresentava inicialmente, foi possível, com o incentivo dado pelo Compete 2020, fazer avanços significativos e desenvolver protótipos muito perto de industrialização», revela Isabel Araújo.

Contudo, sublinha a responsável técnica do projeto, «há ainda algum trabalho a fazer até à completa industrialização, nomeadamente através de tecnologia de processo. A TMG continuará a trabalhar nestes materiais até que se chegue a uma solução viável com o objetivo final de os incorporar em automóveis, nomeadamente em carros elétricos, onde o conceito de sustentabilidade está mais presente».

A TMG Automotive, que investe 4% a 6% do volume de negócios em inovação, deverá fechar o ano com de 2017 com 573 trabalhadores e uma faturação de 98 milhões de euros.