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Têxteis para automóvel em mudança Imprimir E-mail

O crescimento do mercado de veículos elétricos está a alterar as regras do jogo para os produtores de têxteis para a indústria automóvel.

in Portugal Têxtil, 20-11-2017

Uma mudança que traz vantagens mas também desafios para as empresas vocacionadas para os têxteis técnicos, que se terão de preparar para se manterem competitivas.

Os fornecedores de têxteis técnicos e materiais relacionados com a indústria automóvel podem esperar uma grande disrupção nos próximos anos, de acordo com um estudo publicado na mais recente edição da Technical Textiles Markets, da empresa de informação Textiles Intelligence.

Esta rutura, aponta o estudo, deve-se a dois desenvolvimentos significativos: iniciativas recentes que podem resultar no fim de veículos com motores de combustão interna e a sua substituição por veículos híbridos e elétricos; e avanços nos veículos autónomos que não necessitam de condutor.

«Deverá haver um aumento significativo no número de veículos elétricos produzidos mundialmente nos próximos anos, à medida que os construtores automóveis aumentam a produção em concordância com os compromissos que assumiram e em resposta a várias iniciativas multinacionais e proibições governamentais à venda de veículos a gasolina e gasóleo até 2040», refere a Textiles Intelligence.

As iniciativas multinacionais, cita o estudo, incluem a campanha EV 30@30 da iniciativa Clean Energy Ministerial (um fórum mundial que promove as políticas e programas na área da tecnologia de energia limpa), que pretende aumentar o desenvolvimento de veículos elétricos para que representem pelo menos 30% de todos os novos veículos vendidos em 2030.

Oportunidades e desafios

Para muitas empresas que fornecem têxteis para a indústria automóvel, a mudança para os veículos elétricos será um desenvolvimento positivo. Uma das consequências será um aumento da importância da estética do interior do veículo, à medida que o software começa a assumir muitas das funções anteriormente realizadas pelo condutor.

«Vai haver igualmente um forte crescimento na procura por componentes não-tecidos, que são usados como separadores em baterias e nas células de combustível para veículos elétricos, e para materiais que reduzam o ruído e mantenham o conforto térmico», indica o estudo.

Expectativas a que empresas portuguesas como a TMG Automotive estão já a responder, como revelou a administradora Isabel Furtado numa visita recente às novas instalações da empresa, onde apontou como tendências a mobilidade elétrica, segurança e estética apurada e funcionalidade e características ecológicas dos materiais.

Já a ERT tem feito fortes apostas na área da mobilidade, estando a trabalhar em sistemas integrados de mobilidade sustentável e a fazer investimentos para aumentar o output, por exemplo, do corte de peças para a insonorização de automóveis, como afirmou João Brandão, o empresário por detrás do grupo nacional, ao Portugal Têxtil.

Pelo lado menos positivo, destaca a Textiles Intelligence, conta-se a queda significativa na utilização de muitos dos materiais avançados de filtros híbridos, que foram desenvolvidos especificamente nos últimos anos para lidar com as emissões de gases dos motores. «Eventualmente, a necessidade de materiais deste género será eliminada», sublinha o estudo.

A introdução de veículos autónomos trará, por isso, um novo conjunto de desafios e oportunidades. «Por exemplo, os pioneiros deste tipo de veículos antecipam o crescimento de frotas de carros autónomos e a eventual eliminação da propriedade de veículos. Se esta visão se realizar, vai haver a necessidade de ter tecidos interiores mais resistentes e mais duráveis, com propriedades antimicrobianas e fáceis de limpar», refere a Textiles Intelligence, acrescentando que os interiores terão ainda de ser mudados mais frequentemente do que no caso de automóveis detidos por uma única pessoa, que têm um número limitado de passageiros e estão estacionados em ruas e garagens por elevados períodos de tempo.

Elétricos ganham velocidade

De acordo com os dados veiculados pelo jornal Expresso, até julho deste ano, as vendas de veículos elétricos em Portugal ascenderam a 921 carros, mais 129,7% do que nos sete primeiros meses de 2016, o que representa um aumento significativo face aos 756 elétricos desta categoria vendidos no ano passado, ou aos 645 vendidos em 2015.

Em termos mundiais, segundo a Agência Internacional de Energia, há já 2 milhões de veículos elétricos a circular nas estradas de todo o mundo. O estudo “Global EV Outlook 2017” revela que as vendas de automóveis elétricos e híbridos plug-in (híbridos de ligar à corrente, com baterias com maior capacidade) aumentaram 60% em 2016, em comparação com 2015.

No entanto, para cumprir a meta estipulada no Acordo de Paris – que pretende manter o aquecimento abaixo dos 2ºC – será necessário ter em circulação 600 milhões de veículos elétricos em 2040.