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Habitáculo do BMW i3 nasce na fábrica do Lavradio da Fisipe Imprimir E-mail

Os alemães da SGL estão a concentrar na Fisipe serviços de facturação, tecnologia e contabilidade que estavam dispersos por outras unidades europeias do grupo – segundo Stefan Seibel, managing diretor da fábrica do Lavradio, onde é produzido o percursor de fibra de carbono que é usado no habitáculo do BMW i3 e no corpo dos mais avançados aviões do mundo, como o Boeing 777 ou o Airbus 380.

in Jornal T, 21-11-2017

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Não vejo grandes diferenças entre um trabalhador alemão e um português. A vossa mão de obra é muito empenhada e trabalhadora. O que precisa é de uma boa liderança”, garante Stefan, um engenheiro de 56 que dirige a Fisipe desde que ela foi adquirida há cinco anos pelo SGL Group, num dos três maiores produtores mundiais de fibras de carbono.

Criada em 1973, em resultado de uma joint venture entre os grupo CUF e os japoneses da Mitsubishi, a Fisipe apanhou com o vendaval do 25 de Abril de 1974 quando se preparava para dar os primeiros passos, pelo que só três anos volvidos, em 1976, iniciou a sua produção de fibras acrílicas.

Em 2005, atravessava grandes dificuldades, quando foi alvo de um MBO protagonizado por três quadros, que, para darem a volta à situação, puseram as fichas todas no fabrico de produtos inovadores e fibras acrílicas especiais. Quando entrou no radar da SGL, a Fisipe estava numa adiantada fase de desenvolvimento do percursor de fibra de carbono, que já fabricava numa instalação piloto.

No início desta década, a SGL procurava activamente uma fábrica que produzisse o percursor de fibra de carbono, o missing link que lhe faltava para ser completamente vertical. Stefan Seibel integrou a task force que estudou as diferentes possibilidades e conclui que a Fisipe era o right place, pois preenchia todas as condições requeridas para fill the gap sentido pelo grupo alemão.

Adquirida a fábrica portuguesa, Stefan Seibel foi enviado pela SGL para o Lavradio, com a missão de dirigir a nova unidade do grupo, onde só deparou com boas surpresas. “Logo desde o início tudo correu melhor do que esperávamos. Julgávamos que teríamos de deslocar engenheiros da Alemanha, o que acabou por se revelar desnecessário dada a elevada qualidade dos engenheiros e técnicos da empresa”, conta o managing director da Fisipe.

Stefan Seibel é o único alemão entre os cerca de 350 trabalhadores desta empresa que faz um volume de negócios de 100 milhões de euros (99% feitos na exportação), fabricando não só o percursor de fibra de carbono – que por ser leve e resistente é usada não só na construção do BMW i3, Airbus 380 e Boeing 777 -, mas também de fibras acrílicas especiais, que fornece a indústrias tão variadas com as de vestuário, automóvel, construção civil, saúde, aeroespacial, etc. etc.