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AFIA | Comunicado de Imprensa | Crescimento de Exportações e Incertezas Imprimir E-mail

O setor automóvel registou no primeiro semestre do ano um crescimento de 6,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Um crescimento importante mas que traz a necessidade urgente de criar condições para que a competitividade seja constantemente melhorada, sob o risco de sermos ultrapassados por outras regiões

in AFIA, 13-09-2017

No primeiro semestre o sector de componentes para automóveis exportou mais de 4 mil milhões de euros, crescendo 6,4% relativamente ao período homólogo de 2016. Esta taxa de crescimento, bem superior ao crescimento do volume de fabricação de veículos, quer dizer que a indústria de componentes tem vindo a conquistar cota de mercado. Este facto é muito relevante quando o sector automóvel, mundialmente, enfrenta novos paradigmas com impacto significativo para todos os agentes económicos que lhe estão ligados.

A mudança de paradigma passa pela concepção da viatura: Tipo de motorização (combustão interna versus motor elétrico); Conectividade; Condução autónoma. Passa também pela forma como será feita a sua comercialização: Utilização e posse dum automóvel têm sido quase sinónimos, mas no futuro serão dois conceitos distintos, porque a utilização não implicará necessariamente a posse. A expectativa daí decorrente é uma redução do número de veículos vendidos, a que a indústria terá que estar atenta.

Em paralelo teremos ganhos de produtividade significativos resultantes da massificação da tecnologia: robótica, impressão 3D, digitalização e outras a que genericamente se chama Indústria 4.0. Estas mudanças, acelerando as capacidades de produção, irão agravar a diferença entre procura e oferta, criando uma pressão acrescida para racionalização da oferta e para diminuição da capacidade produtiva instalada.

A crescente automatização de processos gera necessidades de pesados investimento em processos produtivos, que – para serem rentabilizados, exigem taxas de ocupação elevadas, no limite tendendo para a laboração contínua. Veremos o desaparecimento de muitos empregos pouco qualificados e de baixo custo, que serão substituídos por outros mais técnicos, mais bem remunerados. Os regimes laborais dos operadores terão que se adequar a estas novas necessidades, que exigem flexibilidade e sacrifício de horários, a troco de remunerações mais elevadas decorrentes de postos de trabalho mais especializados.

Tudo isto caracteriza um quadro de incertezas a longo prazo, que aumentará significativamente a concorrência entre países na atração de investimentos relevantes neste sector. Projectos de investimento com capacidade multiplicadora na economia serão agressivamente disputados, tornando-se, por isso, fundamental manter os investimentos já existentes antes de se tentar atrair novos, cada vez mais difíceis de conseguir. A manutenção das actividades industriais já em laboração deve pois ser a prioridade, devendo-se criar condições para que a sua competitividade seja constantemente melhorada, para não ser ultrapassada pelos progressos doutras regiões.

É necessário que as empresas, os seus colaboradores, os sindicatos e os agentes políticos entendam o tempo presente, mas acima de tudo entendam o tempo futuro e lhe dêem uma resposta efectiva e consciente, para que a indústria automóvel portuguesa possa continuar a contribuir para o crescimento das nossas exportações e para a criação de riqueza.

A obstinação em ficar agarrado a modelos de organização do trabalho tradicionais e a recusa das novas realidades só poderão levar ao desaparecimento da indústria automóvel no nosso País e à perda de dezenas de milhares de postos de trabalho.

 


 

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