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Colaborar para Inovar – Práticas para a inovação colaborativa Print E-mail

Muitas empresas com potencial de inovação falham na entrega de valor ao mercado e outras, que eram exemplos de competitividade, deixaram de o ser por não possuírem capacidade de adaptação às mudanças da sua envolvente.

por Pedro Cilínio, https://www.linkedin.com/in/pedrocilinio/ , 20-04-2017

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Uma situação ilustrativa desta realidade é a evolução da lista de empresas na FORTUNE 500, onde cerca de metade das que constavam em 2000 já não faziam parte da lista em 20141 .

Num mercado cada vez mais global, onde os custos de transação se esbatem com a otimização dos processos logísticos e a redução das barreiras ao comércio internacional, a inovação é um fator cada vez mais relevante nas estratégias das empresas para a criação de vantagens competitivas.

Grande parte das vezes a inovação envolve novas combinações de ativos, sejam eles conhecimento ou tecnologia. No entanto, como esses ativos nem sempre estão disponíveis dentro das fronteiras da empresa, a capacidade inovadora depende em boa parte da capacidade para aceder aos ativos existentes nos diversos stakeholders relevantes, incluindo clientes, fornecedores, concorrentes, empresas de outras áreas de atividade e outras entidades detentoras de conhecimento relevante, o que envolve colaboração.

Desta forma, a inovação aberta para além das fronteiras da empresa, nomeadamente através da colaboração, tem sido cada vez mais utilizada para potenciar os resultados da exploração do conhecimento para a inovação, aumentando a capacidade competitiva de empresas e reforçando a sua posição nas suas cadeias de valor.

Por exemplo, o desenvolvimento de um veículo automóvel obriga a conhecimentos especializados em aerodinâmica, propulsão, mecânica, eletrónica e materiais. Assim, os fabricantes de automóveis coordenam inputs de diversas entidades que possuem conhecimento mais especializado e a colaboração entre eles permite integrar os seus conhecimentos em novas inovações

Efetivamente, a organização da indústria automóvel em torno de cadeias de valor estruturadas onde as empresas necessitam de partilhar conhecimento através de desenvolvimento conjunto de engenharia de produto e de processo e a diversidade de atividades e áreas tecnológicas abrangidas, representam um potencial para o estudo das práticas da colaboração para a inovação.

A identificação das práticas concretas de colaboração através das quais os indivíduos podem trazer do exterior o conhecimento e disseminá-lo dentro da empresa, tem merecido a atenção de diversos estudos2   e podem ser agrupadas em várias dimensões relevantes:

  • Cultura e orientação estratégica para a colaboração, implica o reconhecimento da colaboração na estratégia da empresa, a orientação para desenvolver competências complementares às dos parceiros;
  • A colaboração para a inovação na empresa, implica por exemplo, a existência de equipas de projeto interdepartamentais ou a mobilidade interna dos colaboradores;
  • A promoção da criatividade e iniciativa, através da utilização de ferramentas digitais de colaboração ou a existências de iniciativas que visem a proposta de ideias pelos colaboradores;
  • A gestão do conhecimento, através da partilha e divulgação dos resultados das atividades de inovação ou da utilização de ferramentas de gestão do conhecimento;
  • O acesso ao conhecimento de mercado, através da avaliação sistemática do feedback de clientes e utilizadores, da procura e implementação de boas práticas de outros setores de atividade ou contextos culturais ou geográficos;
  • A cooperação nas atividades de inovação com clientes, fornecedores e concorrentes, através de equipas de projeto que incluam elementos externos ou da participação em clusters ou clubes de fornecedores;
  • Abertura externa ao conhecimento tecnológico e científico, através de práticas de prospetiva e vigilância tecnológica, do envolvimento com as universidades no acolhimento de alunos e na participação dos colaboradores em atividades letivas ou da participação em projetos colaborativos de I&D;
  • A Proteção do conhecimento através de uma política de Proteção de Propriedade Industrial, que possua um equilíbrio justo na partilha dos benefícios e resultados entre os parceiros

Estas e outras práticas podem ser avaliadas através do inquérito sobre práticas de colaboração para a inovação no setor, no âmbito de um trabalho de investigação do ISCTE e que pode ser preenchido em: https://goo.gl/forms/KerSu79fi2leNKM32 até dia 26 de Abril.

 


 

1 http://upstart.bizjournals.com/resources/author/2015/06/04/fortune-500-must-disrupt-or-die-writes-r-ray-wang.html?page=all

 

2 World Economic Forum. 2015. Collaborative Innovation Transforming Business, Driving Growth.
http://www3.weforum.org/docs/WEF_Collaborative_Innovation_report_2015.pdf

Science|Business Innovation Board. 2012. Making industry university partnerships work - Lessons from successful collaborations.
http://sciencebusiness.net/Assets/94fe6d15-5432-4cf9-a656-633248e63541.pdf